terça-feira, 10 de novembro de 2009

COME-COME

"Jogos de computador não afetam crianças. Quer dizer, se o Pac-man tivesse nos afetado quando éramos pequenos, estaríamos todos correndo em salas escuras, mastigando pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas."
Kristian Wilson, Nintendo Inc, 1989

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

REFLEXÕES DO FIM DO DIA



"O anômico de hoje é o canônico de amanhã". (Mafessoli, na PUCRS)

Saindo do Fórum, engravatado, pronto pra encarar a chuva sem qualquer proteção, pois só os fracos usam guarda-chuva. Um colega panfleteando para as eleições da OAB:
- o colega é advogado?
- não, sou surfista de ondas grandes.

Dei uma fugida até a Câmara dos Vereadores, para ver o Mafessoli. Neo-tribalismo, pós-modernidade, reencantamento do mundo, fragmentação do indivíduo e tal. É ruim ver palestra com tradução simultânea. Além disso, o cara não é bobo, sabia para quem estava falando... Daí porque o título da palestra poderia ter sido: "Mafessoli, para seu filho entender." O interessante foi notar o completo desinteresse dos vereadores. Certamente tinham assuntos mais importantes para resolver na hora, as alianças, as mamatas e as excrescências da política partidária. A falta de interesse dos dinossauros da direita, dos Pujóis da vida, é até compreensível: "esse maluco tá fumado". Mas perceber o desinteresse da bancada da esquerda ultra-mega-master-hiper radical do PSOL, para mim, foi desolador. Aquela menina, projeto de Manoela, não deu a mínima para o que Mafessoli falava. Não parava nunca de conversar com os assessores, decerto preocupada com a luta de classes. Radical, para ela, é usar calças jeans na sessão plenária. Quanta rebeldia! Não é sem motivo que a maior parte dos políticos brasileiros da esquerda pouco sabem sobre nosso tempo. De qualquer forma, valeu ver o Michael ao vivo. A partir de hoje, um dos meus mais importantes projetos de vida é dar uma palestra de gravata borboleta.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Seminários Abertos de Criminologia

Seminários Abertos do Mestrado



Seminários Abertos de Criminologia
Programa de Pós-graduação em Ciências Criminais (Mestrado e Doutorado)
Linha de Pesquisa: Criminologia e Controle Social
Coordenação: Professor Salo de Carvalho

CRIMINOLOGIA DAS DROGAS, CRIMINOLOGIA E FEMINISMO E CRIMINOLOGIA E CRÍTICA

Promoção: PPGCCrim PUCRS
Linha de Pesquisa: Criminologia e Controle social
Local: Faculdade de Direito (Prédio 11), sala 1035 (10º andar)
Datas: 09, 11 e 12 de novembro, 19:00-21:00
Entrada Franca

09.11 – CRIMINOLOGIA DAS DROGAS
Apresentação: Marcelo Mayora
Debatedores: Raccius Potter, Janaina Oliveira e Gustavo Nagelstein
Leitura: MAYORA, Marcelo. Direito Penal das drogas e Constituição: em busca de caminhos antiproibicionistas. in FAYET Jr., Ney & MAIA, André Machado (coords.). Ciências Penais e Sociedade Complexa II. Porto Alegre: Nuria Fabris, 2009, pp. 241-257.

11.11 – CRIMINOLOGIA E CRÍTICA
Apresentação: Alexandre Costi Pandolfo
Debatedores: Marçal Carvalho e Marco Scapini
Leitura: PANDOLFO, Alexandre Costi. A Retomada da Temporalidade na Leitura Criminológica: aproximando Literatura e Criminologia. in Anais do Congresso Latino-Americano de Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos, UFSC, Florianópolis, 2008.

12.11 – CRIMINOLOGIA E FEMINISMO
Apresentação: Carla Marrone Alimena e José Antônio Gerzson Linck
Debatedores: Gregori Laitano e Marcelo Marcante
Leitura: ALIMENA, Carla Marrone & LINCK, José Antônio Gerzson. Criminologia e Feminismo na Contemporaneidade: fendas, discursos e subversões pós-modernas. in FAYET Jr., Ney & MAIA, André Machado (coords.). Ciências Penais e Sociedade Complexa II. Porto Alegre: Nuria Fabris, 2009, pp. 81-112.

OBS 01: É recomenda a leitura prévia dos textos indicados, que podem ser acessados em http://antiblogdecriminologia.blogspot.com/.
OBS 02: Não será fornecido certificado de participação.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ANTIPROIBICIONISMO

UM BONITO MANIFESTO ANTIPROIBICIONISTA:
http://www.unoparatodos.org/

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O MISTÉRIO DO PLANETA

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

AUTUORI É CHARLATÃO II

Ando em greve com o Grêmio, por não me sentir representado por Lady Autuori, Souza, Rochembach e o resto da Cia de Ballet. Daí porque nem me envolvi com o Grenal, não vi nem ouvi o jogo, estava no sítio do amigo Nereu, isolado de tudo isso, em um Universo Paralelo. Não ando lendo notícias, nem me importando muito com o que dizem os patetas da direção, e nem o Sir. Autuori: não acredito em Autuori, considero-o um charlatão.
Mas, na sexta, li uma reportagem daquelas da “semana que antecede o grenal”, e nela constava a explicação para a baixa qualidade do futebol apresentado pelo Grêmio desde a chegada do eminente "intelectual do futebol": é que a madame não gosta de fazer treinos coletivos. Diz que os “coletivos acabam virando jogo”, e que por isso privilegia os treinos táticos. Aí está a explicação. Trata-se de treinador que acha que tem mais importância do que realmente tem. O coletivo, de preferência o coletivo que vire jogo (treino é jogo, jogo é guerra, diz o trapo atrás do gol), é o treinamento por excelência, o time tem que ensaiar, jogar junto, os companheiros tem que se conhecer, saber por intuição o que o outro vai fazer, onde o outro vai estar... Mas, é claro, no coletivo, o papel do treinador resta diminuído, e o "professor" não pode admitir que, no fundo, trata-se de largar uma bola e dizer: joguem.
Esse é um vídeo dos melhores momentos do jogo Grêmio 4 x 0 Caxias, no gauchão de 2007, quando o Grêmio precisava fazer 4 x 0 para chegar à final. Foi indicado por meu irmão Maurício, que o utilizou como paradigma para fazer a crítica ao time da Lady. A partir dos 2min31s, inicia uma aula de futebol, do Grêmio de Mano Menezes. Um time que rouba a bola do adversário, que tem uma passagem rápida da intermediária ao ataque, que tem um meio campo com força e velocidade. Lucas faz lançamento preciso para Carlos Eduardo, e em passadas largas já está na intermediária ofensiva, para roubar a bola do marcador, tabelar e deixar o companheiro na cara do gol. Apreciem o bom futebol: http://www.youtube.com/watch?v=elaNhTDevwM.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

OLHARES URBANOS




Fotos: Mari Garcia

sábado, 17 de outubro de 2009

CIÊNCIAS PENAIS E SOCIEDADE COMPLEXA

Saiu mais um livro de artigos dos alunos e professores lá do Mestrado em Ciências Criminais da PUCRS. Transcrevi um trecho do artigo do Zé Linck e da Carla de Galochas, chamado "Criminologia e feminismo na contemporaneidade: fendas, discursos e subversões pós-modernas", mas o texto apagou-se do editor, misteriosamente, e eu não transcreverei novamente. Mas o artigo tá muito bom, o casal está pensando com grande lucidez sobre nosso tempo, sobretudo porque despidos do "arsenal profilático" analítico contido naquelas leituras que enxergam na contemporaneidade o "pior dos mundos." Ressalto também o artigo com as conclusões preliminares da pesquisa sobre aplicação da pena coordenada pelo Salo. E também saiu um artigo meu, "Direito penal das drogas e constituição: em busca de caminhos antiproibicionistas", no qual tento pensar sobre como escapar da camisa de força constitucional imposta à política criminal de drogas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As Aventuras de Anita

video

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

HC



23. Vale frisar que a necessidade de garantir a “paz familiar” e a “tranqüilidade do meio social” são juízos ideológicos da autoridade coatora, juízos político-criminais. Não podem servir ao debate processual penal, palco no qual é imperativo que não sejam utilizados juízos virtuais, irrefutáveis, ou seja, arbitrários. No plano político-criminal a discussão seria possível, e aí seria bastante fácil, a partir de toda a produção acadêmica que existe sobre o assunto, demonstrar que a prisão preventiva de um, no máximo, “vapor barato, mero serviçal do narcotráfico”, de 18 anos de idade, não possui qualquer eficácia na garantia da “paz familiar” ou da “tranquilidade do meio social”. É realmente preocupante que sigamos a crer na fantasia de tal solução, que a prisão de um dependente químico de 18 anos representa garantia de “tranqüilidade do meio social”. A manutenção da presente prisão preventiva representará a aniquilação da última chance que o Paciente tem. A aniquilação da chance que nós temos de ver nascer uma flor no asfalto. Caso seja mantida a custódia cautelar, a “escola do crime” que é o cárcere certamente produzirá seus efeitos criminógenos, e teremos sido novamente derrotados pelo medo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

NÃO DIGA NÃO DIGA NÃO DIGA NÃO DIGA NÃO DIGA NÃO...

As campanhas do tipo “diga não às drogas” representam a resposta desesperada daqueles que desejam vorazmente consumi-las, e que não encontram outro caminho para lidar com tal desejo senão o retorno à repressão autoritária.

domingo, 4 de outubro de 2009

TRIBUTO EXTEMPORÂNEO

BANDITISMO POR QUESTÃO DE CLASSE


Há um tempo atrás se falava de bandidos

Há um tempo atrás se falava em solução

Há um tempo atrás se falava em progresso

Há um tempo atrás que eu via televisão

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha

Não tinha medo da perna cabeluda

Biu do olho verde fazia sexo, fazia

Fazia sexo com seu alicate

Oi sobe morro, ladeira córrego, beco, favela

A polícia atrás deles e eles no rabo dela

Acontece hoje e acontecia no sertão

quando um bando de macaco perseguia Lampião

E o que ele falava muitos hoje ainda falam

"Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala!"

Em cada morro uma história diferente

Que a polícia mata gente inocente

E quem era inocente hoje já virou bandido

Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Banditismo por pura maldade

Banditismo por necessidade

Banditismo por uma questão de classe

(CHICO SCIENCE)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

IMBECILIDADE

O cara chega para almoçar na casa da mamãe, após estar com um moleque de 18 anos no parlatório da Masmorra Central, preso, mega-traficante com três buchas de crack no bolso. Feijão, arroz, bife e batata-frita.
Liga a TV e não consegue não ver o juiz Luciano Lozekan, da VEC de Porto Alegre, sendo desrespeitado por imbecis apresentadores do jornaleco - com seus taileurs, carecas, gravatas feias e bronzeamentos artificiais - ao explicar a decisão de concessão de uma progressão de regime a um centauro absurdamente perigoso.
Deixo aqui minha solidariedade ao Luciano, não é nada fácil conversar com esses surdos. Contudo, noto um temor excessivo por parte dos juízes com relação à mídia. Luciano respondeu bem as perguntas, explicou que estava cumprindo lei e blá blá blá. Mas fica a impressão que seria possível ir mais além, aproveitar a incapacidade dos debatedores e ser mais contundente. Colocar o dedo na ferida desses apresentadores, que são os representantes do desprezível conservadorismo gúcho. Em certo momento, Losekan fez uma crítica bem feita ao sistema progressivo de penas, e disse que as leis penais são mal feitas porque o Congresso só atua na emergência da pressão midíatica. O cara da gravata feia adorou a frase, ou seja, não entendeu que estava sendo criticado. Pediu para o juiz repetí-la, e teve certeza de que deve continuar com sua cruzada, com sua campanha, por meio dos instrumentos de convencimento que possui, contra os inimigos da sociedade.
Enfim, devo preparar um pedido de revogação da prisão preventiva.
Boa taaaarde.

sábado, 26 de setembro de 2009

Segue o baile...

(...) em todas as fases há um processo de aprendizado derivado da interação com praticantes mais experientes, que vão fornecendo os saberes necessários para o desenvolvimento da prática. Percebe-se, então, que os próprios efeitos que decorrem das drogas são construção culturais. É claro que não estou a dizer que nenhum efeito químico é gerado no cérebro pelo uso da maconha ou de qualquer outra substância entorpecente, mas apenas que, provavelmente, Robinson Crusoé não teria acessos de riso e não se sentiria mais criativo caso encontrasse na ilha uma plantação de maconha e resolvesse fumá-la, pois tais estados mentais são efeitos-estereótipo que as pessoas de certa cultura esperam sentir por meio da prática e, não por acaso, na maioria das vezes, sentem: “Não sei qual foi efeito do LSD sobre mim. Poderíamos estar bebendo suco ou chá: a aventura seria incrível da mesma maneira.”[1] A partir daí é possível entender, aliás, que mesmo substâncias enormemente adulteradas, com ínfimo grau de toxicidade - tais quais a maioria das consumidas atualmente - são capazes de cumprir a função que dela espera aquele que a consome com um símbolo."
[1] Frase dita por Bob Weir, guitarrista da banda Grateful Dead, em entrevista prestada à Revista Rolling Stone, n.º 12, edição de setembro de 2007.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

JABÁ

ENCONTRO DE CIÊNCIAS CRIMINAIS
Organização: Curso de Direito/FACOS
Horário: 19h30min

Programação

Dia 23/09 (4ª-feira)

“Direito Penal do Inimigo e sistema carcerário brasileiro: o que é um campo?”
Moysés da Fontoura Pinto Neto - Especialista e Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Professor do Departamento de Ciências Penais da UFRGS e da ULBRA. Conselheiro do Instituto de Criminologia e Alteridade (ICA).

“Polícia da Polícia: a violência da polícia civil vista a partir da COGEPOL (1999-2004).”
Saulo Marimon - Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Professor de Direito Processual Penal (Faculdade Dom Alberto – Santa Cruz do Sul/RS). Professor Convidado do Curso de Pós-Graduação em Gestão Penitenciária da Faculdade de Direito da UFRGS."

Justiça Restaurativa: da teoria à prática."
Raffaella Pallamolla - Advogada criminalista. Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Mestre em Criminologia e execução penal e Doutoranda em Direito Público (Universidade Autônoma de Barcelona). Professora de Direito Penal (FACENSA). Membro da Comissão de Mediação e Práticas Restaurativas da OAB/RS. Conselheira do Instituto de Criminologia e Alteridade (ICA).

“Interrogatório por videoconferência e os direitos do acusado.”
Fernanda Osorio - Advogada criminalista. Especialista e Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Professora de Direito Penal e Processual Penal (Unilasalle e FACOS).Dia 24/09

Dia 24/09 (5ª-feira)

“Criminologia e Pós-Modernidade.”
José Antônio Gerzson Linck - Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Professor de Direito Penal (Faculdade Dom Alberto - Santa Cruz do Sul/RS). Conselheiro do Instituto de Criminologia e Alteridade (ICA).

“A Criminologia Cultuada.”
Alexandre Costi PandolfoMestrando em Ciências Criminais (PUCRS). Conselheiro do Instituto de Criminologia e Alteridade (ICA).

“Drogas: entre a cultura do controle e o controle cultural.”
Marcelo Mayora - Advogado criminalista. Especialista e Mestrando em Ciências Criminais (PUCRS). Conselheiro do Instituto de Criminologia e Alteridade (ICA).

“Criminologia Cultural e Justiça Restaurativa: aproximações desde o abolicionismo penal.”
Daniel Achutti - Advogado criminalista. Mestre e Doutorando em Ciências Criminais (PUCRS). Professor de Direito Penal (FACOS) e Direito Processual Penal (Faculdade Dom Alberto - Santa Cruz do Sul/RS). Membro da Comissão de Mediação e Práticas Restaurativas da OAB/RS. Conselheiro do Instituto de Criminologia e Alteridade (ICA)

sábado, 19 de setembro de 2009

ROTEIRO

Num estádio de futebol, a torcida de um dos times da capital canta “ô tricolor, amo você, tomo cerveja cocaína lsd”, para depois emendar outro cântico, em portunhol medonho, “quiero que legalize la marijuana, para fumar um pouco por la mañana, quiero beber um vinho e uma cerveja, para tener o Grêmio en la cabeça”... No final de tarde, de frente para o pôr-do-sol do lago, um grupo de amigos acende um baseado para celebrar o momento, e no outro lado da cidade, outro sujeito acende outro baseado para assistir um filme surrealista que acabara de pegar na locadora, resolveu ficar quieto no domingo diante da enorme ressaca resultante da festa com bebida liberada do dia anterior. Na praia, um moleque dá uns pegas numa ponta antes de entrar no mar, entende que chapado surfa melhor, e no Presídio Central um pivete da mesma idade que ainda tem que puxar dois anos no fechado acende mais um fininho que ajuda a passar a cadeia. Ao mesmo tempo, um estudante que precisa fazer a dissertação de mestrado decide ir além do chimarrão e do café, e apela para a Ritalina, que o ajudará a se concentrar e a permanecer mais tempo em frente ao computador. Embaixo de um viaduto um sujeito ajeita a pedra em seu cachimbo, acende, puxa, prende, mas não passa. A noite será fria e não há esperança. Em um sítio afastado da cidade, alguns fritos ainda estão fritos ao final da Rave que iniciara no dia anterior, outros já estão fumando unzinho para diminuir o ritmo. A menina de olhos curiosos tomou uma balinha há trinta minutos atrás, e sente que começou a bater. Olha apaixonadamente para seu namorado, que está um pouco longe, conversando sobre anjos e grilos com um amigo louco de cara, que ao mesmo tempo a observa e aprecia tão bela cena. Ele prefere tomar doce, sente-se mais solto, enjoou da sensação de ficar se mordendo de anfetamina. O pai da menina de olhos curiosos está assando uma carne e tomando um cervejinha em casa, decidiu não ir ao estádio. O Viagra está guardado para o dia seguinte, aquela gostosinha resolveu dar mole, e primeira transa é primeira transa, há que impressioná-la, a ajuda química é essencial, no mínimo como plus de confiança, como rede de segurança. Na balada desde sexta à tarde, outro garoto alinha aquela que promete ser a última carreira do final de semana. Após mandar estará pronto para aproveitar o sambinha retrô e cult que rola ali atrás do posto.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

FUI...


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ADVOGANDO...


E no meio da manhã chuvosa recebo uma ligação de um irmão dizendo que a irmã que ficara um ano e quatro meses presa em um presídio interditado de tão podre, recém libertada por um HC que impetrei no STF, está bem, tranquila, pescando e cuidando dos filhos no litoral gaúcho. Imagino a sensação de liberdade de se estar diante do mar, em um dia frio, após mais de ano de cárcere. Por fora, um sorriso quase imperceptível, por dentro, uma alegria profunda.

sábado, 5 de setembro de 2009

AUTUORI É CHARLATÃO

Aos 38min do 2º tempo, após uma atuação pífia do Grêmio, Jonas, num bonito chute, empata a partida com Vitória. Ao invés de buscar a bola no fundo da rede e correr para tentar virar a partida, Jonas sai correndo, alegremente, e faz uma dancinha ridícula para comemorar o gol. Creio que tal cena simboliza o triste momento que vive o Grêmio.
Autuori é charlatão. Por um curto momento até me enganou, um intelectual do futebol, de fala bonita, dizia que o time estava assimilando algunxxx conceitoxxx. Não passa de um enganador. Não entendeu ainda que Tcheco é o principal jogador do time do Grêmio. Não sabe a lição básica do futebol, que aprendemos no primeiro dia da escolinha: é a bola que tem que correr, não o jogador. Tcheco faz a bola girar, passa quase sempre de primeira, é um dos jogadores que mais gosto de ver jogar. Souza e Douglas Costa, ainda que pareçam mais talentosos, são conduzidores de bola, de visão curta. Movem uma usina para acender um fósforo. Rochembach, recém chegado, demonstra um futebol bonito, que por um momento até parece eficaz, mas desconfio que se encaixe naquela classe de jogadores que têm muita categoria e pouco futebol. Ao inventar, tirar Tcheco do time, promover a estréia de Rochembach e improvisar Túlio - jogador mais meia-boca que já vi - na lateral, Autuori desconfigurou o meio-de-campo de Grêmio, que errou passes e mais passes.
Mas equívocos táticos do treinador são corrigidos durante a partida por jogadores inteligentes, quem já jogou futebol e teve um treinador sabe que o posicionamento tático, a definição da marcação, as passagens, a ocupação dos espaços, são ajustados dentro do campo, aos gritos, pelos próprios jogadores. O problema é o "espírito" que o Autuori passa ao time, espírito esse que é o mesmo da direção e do presidente fashion-herdeiro-bunda-mole. A atitude de Jonas é sintoma desse espírito. A queda brusca na média de torcedores nos jogos do Grêmio é consequência desse espírito.
O termo "boleiro" é utilizado para designar a cultura dos jogadores de futebol, que compartilham de uma linguagem e de uma moda própria, aspirações parecidas, problemas semelhantes. Rotina, concentração, brincadeiras. Intelectuais do futebol não são boleiros. Autuori não é boleiro, não fala a língua dos jogadores, não os motiva, creio que os jogadores sequer entendem o que ele quer dizer quando fala rebuscadamente na preleção.
Concordo com meu pai: Duda Kroeff aguardou tanto tempo para contratar Autuori pois queria um companheiro para beber um whiskinho no final da tarde no Country Club...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MEDIDAS CAUTELARES RESTRITIVAS DE BENS - PRECEDENTE DO TRF4

Creio que esse é um importante precedente em matéria de processo penal econômico. Em Mandado de Segurança impetrado por nosso escritório, a 8º Turma do TRF4 decidiu que, ante sentença absolutória, não há que se aguardar o trânsito em julgado para que cessem as medidas cautelares restritivas de bens. Abaixo, a ementa e trecho do voto do Desembargador Paulo Afonso Brum Vaz:
MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSUAL PENAL. MEDIDAS ASSECURATÓRIAS. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA SUPERVENIENTE. REVOGAÇÃO DAS MEDIDAS CAUTELARES. CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA.
Prolatada sentença penal absolutória, devem ser imediatamente revogadas as medidas assecuratórias decretadas pelo juízo criminal, nos termos do artigo 386, parágrafo único, inciso II, do Código de Processo Penal, com a redação dada pela Lei nº 11.690/08, porquanto, na tensão estabelecida entre a efetividade do processo penal e o princípio constitucional da presunção de inocência, há de ser prestigiado esse direito fundamental consagrado no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição da República.
(...)Pois bem. A tese do impetrante é a de que, com a nova redação do art. 386, parágrafo único, inciso II, do CPP, dada pela Lei 11.690/2008, as medidas assecuratórias devem cessar ao ser prolatada sentença penal absolutória.
Muito embora o referido dispositivo seja absolutamente claro ao afirmar que, na sentença absolutória, o juiz ordenará a cessação das medidas cautelares e provisoriamente aplicadas, a autoridade coatora considera que a constrição só deverá cessar após o trânsito em julgado, em face da aplicação conjunta dos artigos 118, 131, inciso III, e 141, todos do Código de Processo Penal:
Art. 118. Antes de transitar em julgado a sentença final, as coisas apreendidas não poderão ser restituídas enquanto interessarem ao processo.
Art. 131. O seqüestro será levantado:
[...]
III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado.
Art. 141. O arresto será levantado ou cancelada a hipoteca, se, por sentença irrecorrível, o réu for absolvido ou julgada extinta a punibilidade.
Não obstante os fundamentos expendidos pelo juízo impetrado em relação à falta de sistemática do processo legislativo desenvolvido nas recentes reformas do processo penal brasileiro, entendo que assiste razão ao impetrante, porquanto, publicada a sentença penal absolutória, desaparece o fundamento para a manutenção da constrição (fummus bonni juris), isto é, a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens (art. 126 do CPP) ou a certeza da infração e indícios suficientes da autoria (art. 134 do CPP). Nesse sentido, vaticina Luiz Flávio Gomes (GOMES, Luiz Flávio e PIOVESAN, Flávia (Coord.). O Sistema interamericano de proteção dos direitos humanos e o direito brasileiro. São Paulo: RT, 2000, p. 247, grifei):
As medidas cautelares integram a garantia da tutela jurisdicional efetiva, visto que são a antecipação dessa tutela ou providência que visam a assegurá-la. Para a proteção, sobretudo dos direitos fundamentais, torna-se indispensável, muitas vezes, a adoção de uma medida que antecede o provimento jurisdicional final. Por isso, é incontestável a validade in abstracto das medidas cautelares. Ao mesmo tempo cabe reconhecer que elas acabam afetando ou a liberdade ou os bens - ou às vezes a disponibilidade deles - do ser humano. Disso decorre a imperiosa necessidade de se observar o devido processo legal, onde sempre devem resultar cristalinamente demonstrados os seus dois pressupostos, trata-se de medida pessoal ou real, que são: fumus boni iuris e periculum in mora.
Se existe um campo onde é absolutamente indiscutível a incidência do princípio da proporcionalidade esse é o do direito processual penal, particularmente o das medidas cautelares. Sabe-se que o referido princípio requer que todas as medidas restritivas de direitos fundamentais cumpram uma série de pressupostos (legalidade e justificação teleológica) assim como de requisitos, que se dividem em extrínsecos (judicialidade e motivação) e intrínsecos (idoneidade, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito).
Além disso, diante da natureza cautelar inerente às medidas assecuratórias (sequestro/arresto), não se pode olvidar que elas possuem, dentre outras características, a acessoriedade e a provisoriedade. Logo, desaparecendo, no curso da ação penal, o fundamento de validade da medida cautelar deferida no início do feito, é de rigor a revisão da providência acauteladora outrora concedida, sob pena de configuração de abuso de direito, segundo leciona Alexander Araujo de Souza:
Também no processo penal, a exemplo do que já se afirmou na doutrina processual civil, possuem os provimentos cautelares como características a acessoriedade, a preventividade, a instrumentalidade e a provisoriedade. São acessórias as cautelas por se vincularem ao resultado do processo penal principal. A preventividade se relaciona à sua destinação de precaver ou evitar a ocorrência de danos irreparáveis ou de difícil reparação, enquanto o processo principal não chega ao fim (v.g. prisão preventiva decretada com vistas a assegurar a regular instrução criminal). Já a instrumentalidade hipotética significa não ser a tutela cautelar um fim em si mesmo, mas ressalta sua função de instrumento assecuratório da eficácia prática das atividades jurisdicionais cognitivas ou executivas. No tocante à provisoriedade, esta impõe que a manutenção da cautela dependa da persistência dos motivos que evidenciaram a urgência da medida necessária à tutela do processo satisfativo (assim, no exemplo relativo à prisão preventiva, esta deve ser revogada quando não mais subsistam os motivos que ensejaram a sua decretação - art. 316 do Código de Processo Penal).
[...]
A parte que requer a tutela jurisdicional cautelar, sob o risco de não obtê-la, tem de fazer a demonstração do fummus boni juris e do periculum in mora. A este respeito, costuma afirmar-se que a cognição relativa à satisfação destes pressupostos é sumária, vale dizer, não se baseia em um juízo de certeza. Assim, para a caracterização do fummus boni juris basta a plausibilidade ou a verossimilhança do direito invocado. Também quanto ao periculum in mora não se pode exigir prova plena de um risco de dano, ou de um dano potencial. Entretanto, a menor profundidade na atividade cognitiva jurisdicional não pode levar à conclusão de afrouxamento na caracterização dos pressupostos aludidos, tampouco pode eximir o legitimado da demonstração destes, sob pena de se consagrar a utilização temerária do requerimento cautelar. A cautela não será prestada com base em um juízo de certeza, mas nem por isso quem a requereu fica isento de trazer ao conhecimento do juízo evidências que dêem suporte à postulação. Vale dizer: o ônus da prova quanto aos pressupostos em comento recai sobre o requerente do provimento acautelatório. Finalmente, como se adota neste trabalho o entendimento que propugna o reconhecimento de uma ação penal cautelar, embora dotada de algumas peculiaridades, não se pode descurar das condições para o regular exercício deste direito. Sob pena de se transpor os lindes da utilização regular, adentrando o campo do abuso, fazem-se necessárias condições para o exercício do direito de ação penal cautelar, as quais não diferem das genericamente estabelecidas pela doutrina para as ações penais não condenatórias: legitimidade ad causam, interesse em agir, possibilidade jurídica do pedido e originalidade. A falta de quaisquer das condições aludidas, a exemplo do que já restou assentado, implicará igualmente exercício abusivo do direito de ação cautelar.
(SOUZA, Alexander Araujo de. O abuso do Direito no Processo Penal. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 133-136, grifei).
Portanto, se no limiar do procedimento penal, mediante cognição precária, era adequado o deferimento de medidas assecuratórias (sequestro/arresto) para salvaguardar a efetividade do processo penal, não se afigura razoável manter tão grave constrição patrimonial após o juízo de primeiro grau ter julgado improcedente a denúncia. Nesse sentido, manifesta-se a jurisprudência:
SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. CONFISCO DE BEM. IMPOSSIBILIDADE. [...] Desta forma, o confisco, necessariamente, pressupõe a condenação daquele que estava na posse do bem ou do valor obtido com a sua venda. No caso, o recorrente foi absolvido. Portanto, não é possível juridicamente, em termos de imposição da pena penal, o confisco do veículo.
(TJ/RS, ACR nº 70028291367, Sétima Câmara Criminal, Rel. Des. Sylvio Baptista Neto, j. 19-03-2008).
Ressalte-se, por oportuno, que esta também é a solução consagrada no processo civil brasileiro em relação aos provimentos cautelares, consoante demonstra o aresto do Egrégio Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrito:
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CAUTELAR. IMPROCEDÊNCIA DA DEMANDA PRINCIPAL. ART. 808, III, DO CPC. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA MEDIDA CAUTELAR.
1. A extinção do processo principal em desfavor do autor descaracteriza o fumus boni juris, impondo a aplicação do art. 808, III, do CPC, consoante a sua melhor exegese. 2. Precedentes jurisprudenciais desta Corte:
"PROCESSUAL CIVIL. PLURALIDADE DE PROCURADORES. SUFICIÊNCIA DA INTIMAÇÃO DE APENAS UM. PROCESSO PRINCIPAL E MEDIDA CAUTELAR.
JULGAMENTO.
1. Está assentado na jurisprudência, inclusive do Supremo Tribunal Federal, que constando da mesma procuração o nome de vários advogados basta que a intimação seja feita a um deles.
2. Segundo a letra do art. 808, III, do Código de Processo Civil, cessa a eficácia da medida cautelar quando declarado extinto o processo principal, com ou sem julgamento de mérito.
3. Precedentes.
4. Recurso especial não conhecido." (Resp 488.913/BA, Relator Ministro Fernando Gonçalves, DJ de 154.03.2004)
"MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL. AÇÃO REVISIONAL JULGADA IMPROCEDENTE, EXTINTA A CAUTELAR PREPARATÓRIA. REVOGAÇÃO DA LIMINAR.
LEGALIDADE.
- Cessa a eficácia da liminar se o Juiz declarar extinto o processo principal, com ou sem julgamento de mérito (art. 808, III, do CPC).
- Julgadas concomitantemente a ação principal e a cautelar, interposta apelação única e global, ao Juiz cabe recebê-la com efeitos distintos, a correspondente à medida cautelar no efeito tão-somente devolutivo (art. 520, IV, do CPC).
Recurso ordinário improvido." (ROMS 11384/SP, Relator Ministro Barros Monteiro, DJ de 19.08.2002)
3. Recurso especial improvido.
(REsp 647.868/DF, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 22-08-2005).
De outra banda, cabe salientar que a inexistência de trânsito em julgado da sentença penal absolutória não é óbice ao levantamento imediato das medidas cautelares, dado que, diante do robusto enfraquecimento do fummus bonni juris que justificava as medidas assecuratórias decretadas no princípio do feito, deve ser prestigiado o espírito reformador do Código de Processo Penal, que, consoante o escólio do MM. Juiz Federal Walter Nunes (Reforma do Código de Processo Penal: Leis n. 11.689, n. 11.690 e n. 11.719, de 2008. Revista CEJ, Brasília, Ano XIII, n. 44, p. 20-24, jan./mar. 2009, p. 21), visa à
substituição do tradicional modelo inquisitivo, escrito, burocrático, pouco transparente e moroso, por um modelo do tipo acusatório, simplificado, transparente, oral, com o Ministério Público como parte, garantias do acusado, defesa efetiva, direito ao silêncio, presunção de não culpabilidade, proibição de provas ilícitas e imparcialidade do juiz, que não deve se substituir ao Ministério Público para assumir função mais própria a quem exerce o jus persequendi (AMBOS; CHOUKR, 2001). Essa foi a linha de pensamento seguida pelo legislador na feitura das Leis ns. 11.689, 11.690 e 11.719, todas de 2008, que trouxeram profundas alterações na sistemática da produção e do exame da prova e nos ritos ordinário e sumário.
Em verdade, esse amplo movimento de reforma do processo penal tem como norte o resgate das suas origens, cujo pano de fundo é o Estado constitucional ou o neoconstitucionalismo. [...]
Diante disso, Guilherme de Souza Nucci (Código de Processo Penal Comentado. São Paulo: RT, 2008, p. 689, grifei) pontifica:
[...] Cessação das medidas cautelares: é possível, durante a fase investigatória ou durante a instrução em juízo, que o magistrado promova medidas cautelares constritivas, atingindo o acusado. Exemplo disso são as medidas assecuratórias, como o sequestro, a especialização de hipoteca legal, dentre outras. Se houver absolvição, deve o juiz ordenar a cessação de todas as medidas cautelares provisoriamente aplicadas. [...]
No mesmo sentido, leciona Antonio Magalhães Gomes Filho:
[...] Finalmente, no texto do parágrafo único do art. 386, o legislador substitui a referência a "penas acessórias provisoriamente aplicadas" por "medidas cautelares e provisoriamente aplicadas", evidenciando com isso a preocupação em adequar a disposição ao princípio constitucional da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da CF), que impede a imposição de qualquer sanção antes do trânsito em julgado de sentença condenatória. [...] (FILHO, Antonio Magalhães Gomes. As reformas no processo penal. As novas Leis de 2008 e os Projetos de Reforma. Coord. Maria Thereza Rocha de Assis Moura. São Paulo: RT, 2008, p. 293).
Dessarte, se a própria acusação ofertada em desfavor do impetrante não foi acolhida pelo magistrado de primeiro grau, devem ser prontamente revogadas as medidas assecuratórias decretadas pelo juízo criminal especializado em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, visto que, na tensão estabelecida entre a efetividade do processo penal e o princípio constitucional da presunção de inocência, há de ser prestigiado esse direito fundamental consagrado no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição da República, consoante lecionam Cezar Roberto Bittencourt e Daniel Gerber, signatário do presente writ, em raro artigo sobre a matéria, publicado no Boletim IBCCRIM, Ano 17, nº 200, julho de 2009, p. 21-22:
[...] Se durante o curso de uma instrução processual torna-se possível a relativização dos efeitos da presunção de inocência face cotejo da proporcionalidade dos bens jurídicos em jogo, tem-se que, após uma sentença absolutória, nada mais justifica a existência da coação cautelar contra o indivíduo (pelo contrário: a cautela é contra o Estado que, em princípio, já foi declarado sucumbente). Afirma-se aqui que a presunção de ofensa - que legitima a adoção de uma medida cautelar, em sede de instrução processual, através da verificação de proporcionalidade entre os bens jurídicos envolvidos - não mais pode prosperar após sentença absolutória, sob pena de transformar-se em uma presunção de culpa (presume-se que um eventual recurso do MP possa ser provido, e, assim sendo, presume-se que iria ocorrer dano com a ausência de medida restritiva) totalmente inapta a gerar qualquer espécie de consequência junto aos direitos e garantias individuais que assistem ao processado. [...]
Ante o exposto, voto por conceder a segurança.
Des. Federal PAULO AFONSO BRUM VAZ
(MS n.º 2009.04.00.019539-2/RS)

domingo, 30 de agosto de 2009


Se você vier me perguntar por onde andei, no tempo em que você sonhava... De olhos abertos lhe direi: AMIGO EU ME DESESPERAVA.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Extraído do blog do Coletivo Princípio Ativo

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ô Ô Ô Ô Ô Ô, HOOLIGANS!

O bixo voltou a pegar entre os Hoolings lá na Inglaterra. Eu ali, tomando cafézinho, trovando, e assistindo o Globo Esporte. O Marcos Lozekan dá a notícia da rixa entre os torcedores, e a Glenda Koslovski pergunta:
- Mas a violência não havia sido banida dos estádios da Inglaterra?

E o Lozekan responde:

- Glenda, conforme Gauer, "a violência é um elemento estrutural, intrínseco ao fato social, e não o resto anacrônico de uma ordem bárbara em vias de extinção".

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DROPS

1. O cara faz um pedido todo bonitinho, instruidinho, organizadinho, e com razão. O parquet, em uma linha, concorda com o pedido do cara, porque o cara tinha razão. O douto magistrado, ao invés de deferir o pedido do cara, "acolhe na íntegra o parecer do MP". Enfim... Creio que razões profundas estão por trás desse mecanismo.
2. O Belchior tá sumido. O Belchior tá sumido? O Belchior tá sumido!
3. Vi o documentário "Juízo" esse final de semana. O que mais impressiona não são os personagens da juíza-malvada, da promotora songa-monga, do promotor fanfarrão e do defensor paspalho. Esses, de tão reais, parecem fictícios. O que eu fico me perguntando é, como é que aqueles "operadores do direito" permitem a exibição das suas bizarrices cotidianas em um documentário, e a única conclusão possível é que eles não possuem nenhuma auto-crítica, acham que estão fazendo um grande bem para a sociedade, fazendo o que "deve ser feito". Essa alucinação é que é intrigante.
4. Dei um livro de presente de amigo secreto para a querida estagiária do escritório. Hoje fui dar um rolé no Praia de Belas para, ao alimentar-me, comprar uma lembrancinha pelo seu 22º aniversário. Pois não é que presenteei-a com o mesmo livro que na ocasião do secret friend a presenteara?
5. É fueda.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

HEROIN CHIC





































“As the essays collected here show, though, this interplay operates on many levels beyond the obvious. The criminalization of insubordinate cultural styles and products, for example, regularly works both for and against the interests of legal and other authorities. Ironically, criminalization and mediated cultural denunciation frequently act to generate around the targeted people and products an aura of uniqueness, creativity, and romantic resistance that in turn provides emotional power and pleasure. At the same time, as countercultural products and activities are condemned by authorities and gain the appeal derived from their symbolization of resistance, they frequently come to be seen within circles of mainstream cultural production as having enhanced commercial potential. Because of this, the dominant culture industry regularly co-opts criminalized styles and products and markets homogenized versions for mass consumption. Subversive culture, then, commonly continues a key source of the innovation essential to the continued commercial success of dominant cultural production apparatus.” (Cultural Criminology, FERREL E SANDERS, p. 16)


sábado, 15 de agosto de 2009

TEORIAS DO DIA-A-DIA

Tenho enorme dificuldade em resolver questões procedimentais, por assim dizer, do cotidiano. A resistência do chuveiro queima, não sei usar furadeira, o ap tem que ficar limpo, a louça deve ser lavada, mas antes disso é necessário preparar a comida... Terno e gravata todo o dia, camisas suadas, roupas vão e voltam da lavanderia. As contas devem ser pagas. Cada uma vence num dia diferente. Há que fazer "rancho", e certamente os alimentos não são pensados para a situação de um sujeito que vive sozinho em um apartamento do centro da cidade. Não com pouca frequencia, perco a luta contra o tempo que corrói o alimento, e o transforma em outra coisa: lixo. Data de validade. "Leite piá, agora em meio litro, você vai adorar!". Maldito jingle. Tenho que imprimir os artigos em pdf que possam ser úteis, os menores posso imprimir em casa, os maiores tenho que mandar imprimir. Dificil arquivá-los de modo que seja simples encontrá-los facilmente no universo de meu laptop. Dia desses descobri que todos aqueles número 341.7LF178.B, dos livros das bibliotecas, fazem sentido, trata-se de classificação inventada no século XVIII, quando a galera não conseguia mais organizar os milhares de livros existentes... Renovar os livros da biblioteca, sob pena de multa. Memoriais finais, respostas à acusação, razões de apelação, Habeas Corpus.... Até uma Reclamação fiz dia desses. Reuniões, clientes presos, sentença condenatória... Dramas pessoais que não saem nunca da minha cabeça. Dissertação, dissertação, dissertação. Trocar o óleo do carro. Que merda, que coisa chata. Carros elétricos precisam de óleo? Ontem troquei o óleo, o filtro do óleo, o filtro do filtro do óleo. E também o filtro do ar.
"E nem é culpa dos juízes e promotores, por eles os caras ficavam presos a vida toda. É que eles têm que cumprir a lei", diz o sujeito gente finíssima, gremistão, que trocava o óleo. Não digo nada. O outro, que calibrava os pneus, diz que "deviam fazer prisões em alto mar, e alimentar os presos por sonda. Os caras não abastecem avião sem precisar aterrisar?".
Na volta pra casa, penso em dar uma passada na manifestação contra a Yeda, para me manifestar contra a Yeda, contra os manifestantes, e contra mim mesmo. Contra o Autuori, esse falador enganador. Mas os manifestantes já estavam em outro momento, são manifestantes ordeiros, profissionais. Depois de cumprir o expediente, voltam ao conformismo. Mas há certa confusão aqui pela Duque, Brigadianos e mais Brigadianos. Passo por um ônibus de "Brigadianos Especiais" e é sério: eles estavam cantando, estilo Capitão Nascimento, um dois, feijão com arroz, três quatro, feijão no prato...
À noite, para prestigiar o aniversário de amigas queridas, sou obrigado novamente a ouvir esse insuportável "Samba-Rock" que invadiu Porto Alegre há vários anos atrás e não deixa mais meu ouvido em paz. Eu gostava no início, era novidade, era cult, as patricinhas viraram malandrinhas da Cidade Baixa ao som do Samba-Rock. Mas: deu. A mesma banda chata, Djavan seguido de Papas da Língua. Seria o Serginho Moah um Djavan piorado? Aja saco.
Ao menos agora a pouco, na volta do almoço, 13h30, passo por um casal de bêbados apaixonados, ambos já com uns 60 anos. "Eu não bebo cerveja, os fermentados matam. Só destilados. Vinho e cerveja nem pensar." A bebum completa: "Gim e Whisky".
Um dia ainda terei um "assessor para assuntos aleatórios", que será responsável por todas estas questões procedimentais. Mas, com algumas, até já me divirto: é um ótimo tranqulizante fazer um rancho curtindo um sonzinho no MP3. Lavar a louça, de cabeça feita, curtindo Lou Reed, também é uma ótima pedida.
Sento para dissertar e resolvo escrever essas besteiras antes.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

PROCESSANDO TRAUMAS E PENSANDO ALTO...

Volto ao assunto do post que escrevi sobre o roubo sofrido por meu irmão, quando dois sujeitos praticaram uma roleta russa nele ao final do evento, ou seja, engatilharam e dispararam o revólver em sua direção. A bala não saiu, mas certamente poderia ter saído. No mínimo, eles poderiam ter esquecido uma bala dentro da arma. O advogado criminalista, ou seja, eu mesmo, sustentaria, neste caso, tratar-se de delito culposo.
O carro foi encontrado no dia seguinte, em uma rua do Bomfim. Intacto. Não levaram o som, o estepe, a carteira, o dinheiro (15 pila) que estava dentro da carteira. Não levaram nada. A gasolina também não foi gasta, ou seja, tudo indica que os sujeitos andaram no carro apenas do local onde o roubaram, na Rua Botafogo, até alguma Rua do Bairro Bonfim. O ato, então, não teve nenhuma conotação patrimonial.
Considerando que os sujeitos não eram "estranhos", tampouco "refugos sociais", parece necessário pensamos a partir de outras premissas. É que a explicação não está na falta, na privação relativa. Do ponto de vista sócio-econômico, não existem grandes diferenças entre ofensor e vítima. Os sujeitos e meu irmão possuem mais ou menos a mesma idade, e estão inseridos da mesma forma no jogo do consumo.
Não houve nenhum ganho econômico, houve um momento de lazer e entretenimento. Os sujeitos buscavam adrenalina: “To make sense of these types of criminal events, then, we need a criminology that incorporates understanding of humor and pleasure, excitement and desire, entertainment and emotion, and the entanglement of these human experiences around the sensuality of the human body. That is, we need a cultural criminology that accounts for crime in terms not only of its social and legal consequences but also its entertainment value – its construction as pleasure and fun – for those involved in it”. (Cultural Criminology, Ferrel e Sanders, p. 312).
Após o carro ter sido encontrado, ficamos nos questionando sobre o ato. O que queriam esses sujeitos? Parece que a explicação economicista nos dava uma certa tranquilidade, no sentido de que a diminuição das desigualdades poderia contribuir de alguma forma para a redução desse tipo de violência. Que o futuro era próspero, que haveria uma luz no fim do túnel. Enfim, ganhariam uns pilas vendendo o carro para um desmanche, precisavam do carro para praticar outro assalto. Queriam comprar drogas. Sei lá. Mas não. Queriam apenas se divertir.
Seguimos nos questionando, e a Mari lançou uma hipótese a ser considerada: o ato consistiu na "iniciação ritualística" de um novo membro do grupo. Para ingressar naquele grupo de sujeitos corajosos, o iniciante tinha que demonstrar que também era "indigesto", e meu irmão serviu de instrumento da iniciação.
Enfim, processando traumas e pensando alto...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

INDICAÇÃO DE BLOG

Daniel Gerber é um companheiro diário, não só de advocacia criminal e de debates acadêmicos. Apesar de termos algumas divergências teóricas, creio que a proximidade sobressai, sobretudo naquela máxima de que os "loucos se entendem"... Toma um cafezinho antes do almoço chegar, por impaciência, pede café e coca-ligth no buteco. Um dos advogados criminalistas mais competentes que conheço, daqueles que vira o jogo na sustentação oral, no último minuto, com um chute de fora da área, no ângulo. Teve gripe "a", febre alta, alucinações, e decidiu fazer um blog, o qual indico fortemente. A blogosfera não para de crescer...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

E SE FOSSE CONTIGO...?

"Aí, porém, reside a trágica antinomia da condição humana. Apesar de não ter controle sobre as causas que o levaram a agir como agiu, o garoto é responsável pelo que fez, a menos que o consideremos um puro espectro humanóide, o que seria incomensuravelmente mais desumanizante. Podemos, é claro, conceder-lhe o benefício da ausência de consciência plena do crime cometido; podemos olhar com clemência a dolorosa história de vida que o fez praticar o que praticou, mas não podemos isentá-lo da autoria do seu ato. Conclusão: é nosso dever ético condenar e procurar mudar, por todos os meios possíveis, regimes socioeconômicos que favoreçam a formação moral de pessoas sem consciência do que seja crueldade. Caso contrário, estaremos permanentemente expostos a um terrível impasse ético, qual seja, não saber como julgar alguém que não teve condições de dar sentido a palavras como culpa, crime e castigo." (Jurandir Freire Costa, Dias de Sombra, Dias de Luz, Folha de São Paulo)
Agora estou legitimado à responder à pergunta clássica daqueles defensores da punição e de mais punição. Em realidade, estou mais que legitimado, pois o episódio não aconteceu comigo, mas com meu irmão. Às 2h30 da manhã, dormindo em casa, meu irmão liga. - Marcelo, fui assaltado, levaram o Gol, me busca aqui no EcoPosto. Pergunto mais informações sobre o ocorrido e ele mostra-se muito nervoso. - Me busca aqui que depois te conto! Saio pela madrugada absolutamente atucanado, e encontro meu irmão, de camiseta do Grêmio, em estado de choque.
Parado na esquina da Múcio Teixeira com a Botafogo, dois motoqueiros o cercam, os dois caronas descem da moto, armados, e entram no golzinho. Apontam as armas para cabeça de meu irmão, e o ordenam a dirigir. Maurício segue dirigindo pela Botafogo. Pouco antes de chegar na esquina com a Érico Veríssimo, diz aos sujeitos que não têm condições de dirigir, que não estava conseguindo guiar o carro em razão do nervosismo. Os sujeitos então dizem: - desce do carro que é o fim da linha pra ti magrão. Apontam a arma para meu irmão, engatilham e puxam o gatilho. Após, soltam gargalhadas, pois a arma estava descarregada, e a idéia era apenas brincar. Brincar com a vida de um guri de 18 anos. O mais marcante da cena narrada por meu irmão diz respeito aos sons emitidos por um gatilho sendo puxado e disparado. Todos os sujeitos eram brancos e bem vestidos.
Fiquei absolutamente transtornado ao ouvir o ocorrido. Me senti inapto a dizer qualquer coisa para ele, para mim seria impossível alcançar o sentimento de alguém que por alguns segundos achou que iria morrer. Fiz o que pude, viemos aqui para casa e conversamos. Agora está tudo bem. Segue o baile. Por óbvio, não consegui dormir, e fiquei refletindo.
Não é o caso de buscar causas para o assalto cometido, tampouco pensar que a rua escura contribuiu, ou sei la o quê. O que me incomodou não foi o roubo do carro, fodam-se carros. O que perturba é o fato de jovens - só um pouco mais velhos que meu irmão - "tirarem a onda" que acharam que tiraram, com a vida de meu irmão, disparando uma arma desmuniciada, apenas para brincar. Que tipo sociedade corrompida é essa onde esse tipo de brincadeirinhas fazem pessoas rir? Minhas convicções criminológicas não mudaram, sigo considerando que o sistema penal é parte desse problema, que todos são éticamente responsáveis por esse tipo de coisa, que esse ódio é resposta aos ódios com que as pessoas deparam-se cotidianamente, seja a partir da privação relativa, seja pelo etos da violência fortemente enraízado em nossa cultura do medo.
Mas o que surge é o seguinte: e aí? O que aconteceu foi uma "situação-problema", comparável ao "exemplo" dos maconheiros do ap de Amsterdam lá do Hulsman? Mesmo com tudo o que sabemos sobre a concreta atuação do sistema penal na realidade marginal, não deve haver uma resposta sancionadora a esse tipo de conduta? "Enquanto o seu lobo não vem", enquanto não reconstruírmos os laços da socialidade, um abolicionista diria o que sobre isso? Deixa assim mesmo, isso decorre da infra-estrutura do capitalismo? Eu queria participar de um "encontro restaurativo" com esses sujeitos, por toda a descrença que tenho na solução punitiva, mas devemos exigir esse tipo de compreensão de todas as pessoas? O "homem médio" é mesmo fascista? E os sujeitos que fizeram o que fizeram são o que? Devemos desconsiderar os sentimentos de repulsa das vítimas? Já falei isso, parafraseando a Larrauri, e falo novamente: não dar a devida importância às vítimas de atos violentos foi um dos erros centrais de uma criminologia que acabou morta. Sei que a criminalização de condutas é uma forma precária de controle social, mas o extremo oposto, a ausência total de responsabilização, também é.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DESVIOS CONTEMPORÂNEOS...

Seguindo indicação do Mox, catei na prateleira um livro do Jurandir Freire Costa, "O vestígio e a aura, corpo e consumismo na moral do espetáculo." No artigo chamado "A personalidade somática de nosso tempo", ele fornece importante chave de leitura para pensarmos o desvio na contemporaneidade:

“Hoje a figura do desvio é a estultícia. Criamos um código axiológico no qual os “normais” são os que dão mostra de vontade forte. No pólo oposto, estão os fracos, os piores, os estultos. Estultícia é a inépcia, a incompetência para exercer a vontade no domínio do corpo e da mente, segundo os preceitos da qualidade de vida. O louco de outrora ameaçava a cultura por ser um contra-exemplo vivo da idéia de homem como ser racional. O perverso, por exibir a potência dos instintos desregrados, excessivos, regredidos, incontroláveis pela razão. O estulto ameaça pelo mau exemplo da fraqueza de vontade. Em oposição à personalidade neurótica de Karen Horney ou à personalidade narcísica de Lasch, a personalidade somática tem na imagem social do corpo o suporte, por excelência, do caráter ou da identidade. Os diversos tipos de estultos começam, por isso, a proliferar como um efeito imprevisto do hiperinvestimento afetivo na imagem corporal, e a serem mostrados como a antinomia da bioidentidade aprovada. A estultícia é a contrapartida desviante da personalidade somática de nosso tempo.Os estultos são, então, tipificados segundo o grau ou a natureza do desvio em: a) dependentes ou adictos, isto é, os que não controlam a necessidade de drogas lícitas e ilícitas; de sexo; de amor; de consumo; de exercícios físicos; de jogos de azar; de jogos eletrônicos, etc. b) desregulados, isto é, os que não podem moderar o ritmo ou a intensidade das carências físicas (bulímicos, anoréxicos) ou mentais (portadores de síndrome de pânico, fobias sociais); c) inibidos, isto é, os que se intimidam com o mundo e não expandem a força de vontade, como os distímicos, os apáticos, os não assertivos, os “não assumidos”; d) estressados, isto é, os que não sabem priorizar os investimentos afetivos e desperdiçam energia, tornando-se perdulários da vontade; e) deformados, isto é, os que ficam para trás na maratona do fitness: obesos; manchados de pele; sedentários; envelhecidos precocemente; tabagistas; não-siliconados; não-lipoaspirados, etc.” (p. 195/196)

sábado, 1 de agosto de 2009


"No more Guernicas, no more Auschwitzes, no more Hiroshimas... Hooray! But what about the impossibility of living, what about this stifling mediocrity and this absence of passion...? Let nobody say these are minor details or secondery points". (VANEIGEN, The revolution of everydaylife, apud FERREL, Boredom, Crime and Criminology)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

OVO

Sabem aquele prédio que caiu na beira da praia de Capão? Pois é, era o meu... Não consegui articular um post sobre o assunto, fiquei muito abalado, o significado simbólico do 'ovo' ocupava um lugar importante em minha psique. Posto, então, um texto escrito pela minha tia, Tia Dedê, que bem retrata a doçura dos momentos que vivemos por lá...

Aos meus amados Gui, Larissa, Marcelo e Mauro

Estamos tristes.
Nosso Ovo quebrou!
Não temos nada para retirar lá dentro,o tesouro do Ovo está na nossa memória.
Lembranças lindas da infância,adolescência e juventude de nossos filhos e sobrinhos.
Amizades de praia, iniciação de surfistas, primeiros namoros, molecagem nas construções...
Quantas entradas de anos! A troca de cultura com os amigos judeus.
O point era sempre lá, no ap dos avós, gentilmente apelidado de “ovo”.
Pequeninho,pequeninho...Mas como cabia gente naquela casa!
Era o coração da vó Duty que acolhia a todos.
A cozinha funcionava como numa grande mansão,sempre tantas iguarias:mogangos trazidos pelo vô Nélio, feijão, guisadinhos com farofa...Tudo tão gostoso e disputado.Era só falar a senha mágica “estou na conta”, que mais um prato surgia na mesa.
A hora de dormir era um pouco mais complicada,a decisão de quem dormia na sala, no muquifo,ou na disputada cama da vó, ocasionava calorosos debates.

Como esquecer do seu Willy com suas batidas e caçoadas?Dos bonés da Doralina,da filha do Elias, do próprio Elias com seus trambiques?
Foram momentos mágicos, inexplicáveis, indescritíveis.
Nestas arturas..., como diria nosso filósofo de D. Pedrito, nos resta recordar.
Mais uma fase que termina.
Claro que virá outra, quem sabe outro prédio, até bem mais bonito...
Mas, sinto informar para os meus amados filhotes e sobrinhos: a nossa casinha de boneca, que era de madeira verde e branca, nunca conseguiu ser substituída em nossos corações, pela casinha de alvenaria, toda linda que foi construída em seu lugar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

III CAFÉ INDISCIPLINAR

E depois?

sábado, 11 de julho de 2009

I WANNA BE SEDATED

De uma adolescência verde e perfumada derivou um tema para a dissertação de mestrado. Em rodas, não só de chimarrão, contemplei belas paisagens e tive agradáveis momentos de sossego. Em mesas de bares as questões mais relevantes do mundo foram discutidas. Revoluções começaram e terminaram no bar. Para bares, levamos as gatinhas no primeiro encontro (quando elas não querem ir direto para casa, é claro). DVD e vinho? Turbinado da mistura whisky redbull apreciei as noites inacreditáveis do litoral gaúcho. Virar a noite discutindo poesia e direito penal? Careta? Em paraísos naturais e artificiais, vivi os momentos mais intensos da minha vida. Nada se assemelha a um transe coletivo. Frito, comecei a namorar.
Do que concluo: o aspecto problemático do uso de "drogas" (aspas, aspas, mais aspas) é apenas um aspecto da questão, talvez de menor relevância, diante da importância cultural e da omnipresença dos usos de substâncias que nos auxiliam na obtenção de estados alterados de consciência.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

DICA DE FILME - JOGO DE CENA


O diretor Eduardo Coutinho dá aula de cinema...


sexta-feira, 3 de julho de 2009

...

Tentei escrever um post sobre os acontecimentos do jogo do Grêmio de ontem, mas não consegui. Não há mais o que dizer. Não há como conversar com fardas. Só resta ridicularizá-los. Quero dizer isso para todos os coronéis, para todo o establishment conservador-preconceituoso gaúcho, para a RBS, para a aristocracia do Grêmio: vocês são patéticos.
Meu irmão foi preso por desacato à autoridade, e eu estou muito orgulhoso. Sigamos desacatando-as.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

TERRA EM TRANSE

Resolvi virar ditador hoje, e baixar dois decretos:

I. Fica abolida a herança.
Exposição de motivos: tal medida é necessária para aperfeiçormos a meritocracia. Os liberais de coração - não aqueles liberais com o dinheiro do papai - apoiarão tal medida, pois são os maiores defensores da meritocracia. A partir daí, a corrida será mais parelha, haverão mais ultrapassagens, o mundial de fórmula 1 ficará mais divertido, e o Galvão Bueno mais feliz. Do ponto de vista sócio-existencial, tal medida também é pertinente, pois está de acordo com o presenteísmo e com a liquidez contemporânea. Assim, papais e vovôs se preocuparão menos em acumular, e gastarão suas fortunas em vida. A medida constitui-se em um elogio ao hedonismo.
II. São abolidos todos os crimes; é abolida a própria palavra crime; fica autorizada a vingança privada.
Exposição de motivos: o sistema penal é o instrumento que mais violou os direitos das pessoas ao longo da história. Além disso, não cumpriu os objetivos de segurança prometidos. Assim, faremos um teste, autorizando expressamente a vingança privada. O objetivo é: ver no que vai dar.

terça-feira, 30 de junho de 2009

BIBI

Passei na floricultura para escolher uma flor para a menina dos meus olhos, mas não aceitaram cartão de débito. Então, mando as flores por aqui.

domingo, 28 de junho de 2009

TAXI LUNAR

Para Mari Garcia


Táxi Lunar


Ela me deu o seu amor, eu tomei

No dia 16 de maio, viajei

Espaçonave atropelado, procurei

O meu amor aperreado


Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar


Bela linda criatura, bonita

Nem menina, nem mulher

Tem espelho no seu rosto de neve

Nem menina, nem mulher


Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar


Pela sua cabeleira, vermelha

Pelos raios desse sol, lilás

Pelo fogo do seu corpo, centelha

Belos raios desse sol


Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar


Composição: Zé Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo

sábado, 20 de junho de 2009

DIÁLOGO POSSÍVEL

Cena 1 - no escritório

17h40 - advogado stressado: Lorena, chama o motoboy, diz que esse documento tem que chegar até às 18h na instituição tal, sem falta, o prazo é hoje.
17h45 - Lorena: Olha, esse documento tem que chegar até às 18h, sem falta, caso contrário trocaremos a empresa de motoboys que nos presta serviço.
Motoboy sai alucinado pelo trânsito

Cena 2 - no Mulligan

18h30 - advogado stressado, mas com a gravata mais solta: esses motoboys são uns malucos, são a causa dos problemas do trânsito, vão fazendo zigue-zague, outro dia um desses loucos bateu no meu caminhonetão...
- advogada elegante: é, e ainda por cima são eles que fazem a maioria dos assaltos, deveriam proibir o uso de capacetes, aliás, deveriam proibir as motos no trânsito...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ACADEMICISMO


Para Alex Pan

Tão ridículo quanto o direito encerrado em sí mesmo, é a transdisciplinaridade que pensa que futebol se joga com as mãos e tênis de luvas. Que pensa que berimbau é gaita. O lema do bom acadêmico transdisciplinar - como não ser, afinal, hoje em dia? - é: me engana que eu gosto.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

RANKING

Analisados 100 processos, temos um ranking parcial em relação aos flagrantes por posse de drogas:

- ERVA: 66%
- PEDRA: 21%
- PÓ: 13º
- ECSTASY, LSD, OPIÁCEOS: 0%

DICA DE FILME - QUART4B


Filme mais experimental que vi nos últimos tempos. Vejam. Mas, vejam mesmo. Peguei na "E o Vídeo Levou". No YouTube tem algumas cenas.




domingo, 7 de junho de 2009

FETICHES...

Pergunta patética, resumo de nossa miséria:

"TEM ONDE DEIXAR O CARRO?"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

EXECUÇÃO PENAL

- Bom dia, aqui quem tá falando é Marcelo, eu sou advogado... Nós tivemos uma progressão de regime deferida na VEC de Novo Hamburgo, e eu gostaria de saber se há previsão para a transferência.
- Que dia veio o ofício para cá?
- 15 de maio.
- A Susepe não tá cumprindo os ofícios, só tá cumprindo pra quem entra com um mandado de intimação (sic).
- O que que eu faço então?
- Entra com um mandado de intimação (sic) na VEC de Novo hamburgo.
- Tá bom, obrigado.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

CAFÉ INDISCIPLINAR


sexta-feira, 29 de maio de 2009

GURIZADA MEDONHA

http://criminologiaealteridade.ning.com/.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

EMPRESÁRIOS MORAIS X JUÍZES GARANTISTAS

Tudo bem que essas recentes decisões dos juízes gaúchos a respeito da questão carcerária não signifiquem grande coisa, que o poder punitivo atua nas fendas do Estado de Direito, como tão bem nos explica o Mox, que o furo é mais embaixo, e blá blá blá...
Mas tem uma coisa: essas decisões têm um significado simbólico importante, e esses juízes (Amilton Bueno de Carvalho, Paulo Irion, Sidinei Brazsuka) que estão tomando as decisões corajosas estão sendo execrados pelos empresários morais lasier martinescos promotorescos bundinhas bons belos e justos. E sem piedade.
Então é o seguinte: não que eles precisem, mas temos que estar do lado deles, pois, caso contrário, ninguém vai estar...

COLIGAY E A PROVÍNCIA DO PRECONCEITO

Recebi diversos emails de colorados, se achando malandros, e achando que algum tipo de corneta seria possível em razão da faixa da Coligay exibida em Caracas. Quero dizer que tenho vergonha do tempo em que o Grêmio não aceitou negros no time, e que tive orgulho do meu time ao ver a faixa exposta lá em Caracas, e desejo que a Coligay volte ao Olímpico Monumental.

domingo, 24 de maio de 2009

POESIA DOMINICAL

Domingo, no horário da deprê, na TVE, revi o show do Arnaldo Antunes que vi ao vivo mês passado. Essa é uma música nova, que estará no próximo cd. Bela.

Longe

Onde é que eu fui parar
Aonde é esse aqui
Não dá mais pra voltar
Porque eu fiquei tão longe, longe
Onde é esse lugar
Aonde está você
Não pega celular
E a Terra está tão longe, longe
Não passa um carro sequer
Todo comércio fechou
Não tem satélite algum transmitindo notícias de onde eu estou
Nenhum e-mail chegou
Nenhum correio virá
Eu entre quatro paredes sem porta ou janela pro tempo passar
Dizem que a vida é assim
Cinco sentidos em mim
Dentro de um corpo fechado
No vácuo de um quarto
No espaço sem fim
Aonde está você
Por que é que você foi
Não quero te esquecer
Mas já fiquei tão longe, longe
Não dá mais pra voltar
Eu nem me despedi
Aonde é que eu vim parar
Por que eu fiquei tão longe, longe, longe, longe
Longe, longe, longe, longe

DICA DE FILME

Baseado em um livro de Chuck Palahniuk, autor que escreveu "Clube da Luta". Diretor faz um jogo bem interessante entre realidade/ficção/imaginação e o resultado é um filme esquizofrênico. Tenho muita dificuldade em gostar de comédias, e essa passou no teste.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

ALQUILO

Informo que estou locando espaços em minha janela para aqueles que quiserem fazer qualquer tipo de manifestação, pró ou contra o governo Yeda, já que vivo em uma era pós-ideólogica, pós-política, pós-sei-lá-o-que. Desde que os horários não coincidam, aceito locar o espaço para mentirosos da esquerda e da direita, para fascistas da direita e da esquerda, para ativistas nus, e para aqueles que pretendam jogar ovos, bombas ou assemelhados. Também aceito locar o espaço para sindicalistas do século passado, tarados por CPI's, "indignadinhos" com a corrupção - principalmente aqueles que não perdem a oportunidade de furar uma fila -, bem como para jornalistas dos jornalecos sensacionalistas dessa província decadente.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

LUCAS MENEGON

Num sábado de manhã se está em casa dormindo quando um dos melhores amigos liga dizendo que outro dos melhores amigos bateu de frente em um caminhão de madrugada e morreu. Morreu. Morreu, não está machucado, todo quebrado, ainda pode se salvar, resta uma chance. Não. A notícia é fatal.
Um caminhão, um carro, dois objetos ocupando o mesmo lugar, um dos objetos é menor que o outro, um corpo de carne e osso que não resiste ao impacto. Uma sinaleira que estava aberta, outra que estava fechada, um minuto a mais de sono, um segundo a mais de sono, uma fração de segundo a mais de sono. Ir mais devagar, mais rápido, um quebra-molas, parar para mijar, a porra de uma lebre que se atravessasse na frente do carro. Desistir de ir. Ah, hoje não estou afim, vou ficar na cama dormindo. Vou por outro caminho. O filho do caminhoneiro teve febre, ele resolveu não sair de casa. O caminhoneiro resolveu parar no puteiro. Os objetos se encontraram, o parceiro morreu.
Para quem engana-se com Deus, talvez seja mais fácil, foi Deus quem quis. Virou um anjo. Uma estrela. Eu digo: vão a puta que pariu. Revolta e resignação. Uma marca psíquica que me acompanhará para sempre. Morre-se.
Há um ano.
SAUDADE.
http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=lucas+menegon&aq=f. Acho que ele não ia gostar desse videozinho, com a música clichê. Mas talvez gostasse. E diria: legal.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

OASIS

QUEM NÃO FOI, VACILOU. BANDA EM ÓTIMA FASE, CERVEJA GELADA E ACESSÍVEL, PUBLICO ANIMADO, CHIQUEIRINHO EM BOAS CONDIÇÕES.
"Eles chegaram a um nível em que começaram a se preocupar com o meio ambiente. Isso é para os governantes do mundo se preocuparem. Nós precisamos nos concentrar em fazer sexo com mulheres, usar drogas, óculos escuros e sermos cool. Esqueça o urso polar". (Noel)
"Existem Elvis e eu. Não poderia dizer qual dos dois é o melhor." (Liam)
"Estava na rua e vi uma cadeira passar voando perto de mim. Depois outra e mais outra. E pensei: essa vai ser uma noite divertida". (Liam)
“A vida pode ser mais bela sem cerveja e cocaína. O Rock’ n’ roll não.” (Noel)

domingo, 10 de maio de 2009

ILARI ILARI Ê Ô Ô Ô


















Peguei a decisão denegatória do HC impetrado em 1º grau pelas 17h. Cheguei em casa completamente sem saco de fazer outro HC, pois viajaria ao interior, e estava cansado. Além disso, o arquivo virtual com a peça (uma atualização do HC impetrado ano passado pelo Salo) foi parar em algum temporary file escondido na mais obscura pasta de meu computador. Mas aí, achei que tinha que fazer outro Habeas, a Mari colocou uma pilha e buscou cópia integral do HC derrotado, enquanto eu fiquei preparando o novo. Impetramos às 21h, no plantão, e quem o recebeu foi uma maluca de camiseta dos Beatles. Enquanto a burocracia rolava, conversamos sobre como o canto dos passarinhos pode ser chato - quando se quer dormir mesmo estando agitado, por exemplo. A moça parecia chapada, e achei que as vibrações eram positivas. Após todo o stress, assisti "Madagascar", tranquilamente, curtindo as aventuras do Leão, da Zebra, da Girafa e da "Hipopótama". E dos pinguins, é claro. E não é que de plantão estava Nereu Giacomolli? Ele despejou toda sua sabedoria e coragem em bonito voto.
Gostaria muito de ter visto a cara do "coroné" ao receber o ofício com o salvo conduto.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

APESAR DE VOCÊ

Amanhã vai ser outro dia...
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros.
Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a finezade “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir antes do que você pensa.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

terça-feira, 5 de maio de 2009

KAFKA


Trecho extraído de uma denúncia criminal, que gerou um processo de 800 páginas:

"O 'Bingo' é um jogo com premiação em bens ou dinheiro, operado através do sorteio aleatório de números, mediante sucessivas extrações, até que um ou mais concorrentes, que estejam participando da rodada, com certo número de cartelas previamente adquiridas, atinja ou atinjam o objetivo previamente fixado, ou seja, preenchimento de uma linha, de uma coluna ou, ainda, de toda a cartela".

sexta-feira, 1 de maio de 2009

INTERPELAÇÃO

Recebi uma denúncia anônima com informações que evidenciam que o digníssimo senhor José Antonio Gerzson Linck, brasileiro, casado com a Srta. Chata de Galochas, advogado inscrito na OAB/RS sob o n.º 70.432, mestre em ciências criminais pela PUCRS, leva dois cartões de entrada ao Estádio da Beira do Lago, com o objetivo de, no intervalo da partida, sair do referido chiqueiro para comprar cervejas nos bares e/ou vendedores ambulantes das imediações, voltando ao aterro, em seguida, com o cartão que não fora usado por ocasião da primeira entrada. Posto isso, requer este blog que o Sr. Zé, como é vulgarmente conhecido, confirme tal informação, de modo que eu possa acrescentar uma nova foto na minha galeria de ídolos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

PAPAI TEM UM BLOG

Pretende ser uma espécie de ombundsman (é assim que se escreve?) da imprensa de Caçapava do Sul - a segunda capital farroupilha, seja lá o que isso signifique - um espaço para a critica da ditadura que se estabeleceu na mesma cidade, após um coronel tomar o poder, bem como debater questões ligadas ao GRÊMIO.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

DEBATE DE ONTEM

Estive ontem, por indicação do Salo e do Achutti, em um debate organizado pela juventude do PT, a respeito da legalização das drogas, especialmente da maconha. Além de mim, estavam lá o representante do coletivo princípio ativo (principio-ativo.blogspot.com.br), que organiza a marcha da maconha, bem como um pesquisador da biologia da UFRGS, que trabalha com os efeitos terapêuticos da maconha. Os demais, eram da juventude do PT. O Luchese e a Pati também foram lá dar uma moral.
Creio que o debate foi bastante válido. O Rafael Gil Medeiros, do coletivo princípio ativo, também é agente redutor de danos, e tem um pensamento fundamentado na sua própria prática, mas também na antipsiquiatria e na criminologia crítica, se assim podemos chamar a criminologia que destrinchou os efeitos colaterais do proibicionismo. O pesquisador da UFRGS, Douglas, se não me engano, apresentou uma pesquisa de ponta, séria e refinada, a respeito dos efeitos terapêuticos da maconha. A juventude do PT, com algumas exceções, compreensíveis, já que tal "facção" tem que, de maneira tática, angariar espaços dentro do próprio partido, demonstrou que há ali uma esquerda progressista, anti-conservadora, contracultural. [aliás, creio que no próximo café do ICA, poderíamos chamar o Rafael e o Douglas, para fazer uma discussão sobre drogas, de maneira a honrar a indisciplinaridade. Desde já, submeto a idéia aos demais membros]
A marcha da maconha deste ano será realizada no dia 09 de maio, na redenção. O tema é "O que não pode ser debatido numa democracia?. O evento será realizado em 13 capitais e, como nos anos anteriores, há notícia de possível restrição. Ano passado, o Salo e a Mari ganharam um HC para liberar a marcha. Esse ano, caso haja alguma notícia de repressão, o salvo conduto se fará necessário novamente. No Rio, o juiz Luis Gustavo Grandineti de Carvalho, já concedeu a ordem, em bonito voto, liberando a marcha que ocorrerá no Posto 9.
De experiência de vida, o interessante foi sentir na pele, o preconceito, por setores que - pretendem ser - críticos, que sofre o advogado. Ao nos apresentarmos, eu, minha namorada, o Luchese e a Pati, como advogados, houve um frissom. Um gordinho, de maneira raivosa, alarmou-se, e disse que iríamos "prender" quem estava ali. Foi necessário começar a falar, para que a representação se dissipasse, para que notassem que, de um ponto de vista, "estamos do mesmo lado". Não compactuo com a auto-veneração dos advogados, mas, também não concordo com esse tipo de preconceito, e nunca é demais lembrar a importância da profissão, que, na ditadura, procurava nos porões e nos processos secretos os seus clientes, e que hoje segue na linha de frente da limitação do poder punitivo.

sábado, 25 de abril de 2009

LEGALIZE IT

"(...) pregar a abstinência do consumo de substâncias psicoativas como forma ideal de evitar os danos a ela relacionados equivale a pregar a abstinência sexual como forma ideal de evitar doenças sexualmente transmissíveis". (Maria Lúcia Karam, RBCC 47, p. 367)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

OLHARES URBANOS


Muro da praça Argentina, Porto Alegre, RS, Brasil
Foto: Mari Garcia

domingo, 19 de abril de 2009

"OS HOMENS SE PARECEM MAIS COM SEUS TEMPOS QUE COM SEUS PAIS"

Uma das facetas da drogadição contemporânea é o uso de substâncias sintéticas em contextos recreativos, tais como raves e clubes de música eletrônica. Pelo que andei pesquisando até agora, ninguém trabalha tão bem tal fenômeno, no Brasil, hoje, quanto Maria Isabel Mendes de Almeida, Doutora em Sociologia pela IUPERJ, pró-reitora dé pós-graduação e pesquisa da Universidade Cândido Mendes (http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do). Em um dos livros da pesquisadora - que se chama Noites Nômades, e é uma etnografia da balada carioca, publicado pela Editora Rocco - o prefácio é de Renato Janine Ribeiro (que sei que é bem criticado por amigos, mas não lembro o porquê, lembro apenas daquela sua opinião no caso do "menino João Hélio, e também desconheço sua obra), faz uma advertência que me parece bastante relevante para aqueles que pretendem pensar o nosso tempo, e que diz respeito ao que andamos discutindo por aí...
“(...) Algumas de suas críticas, logo se revelam simplesmente erradas: foi o caso, há poucos anos, de uma telenovela que começava com muitas mortes e por isso foi acusada de banalizar o mal – até que se percebeu que o autor dela pretendia, justamente, criticar a violência em nossa sociedade. A questão é, na verdade, dupla. Primeiro surge uma espécie de condenação ou indignação automática, quase um kit que se aciona imediatamente. Censurar o que se faz hoje se torna então uma reação quase behavorista de defesa de uma geração mais velha diante do novo. Formalmente, não há maior diferença entre essa condenação das novidades e as que as gerações anteriores fizeram; a diferença, claro, está nas justificativas, porque antes se criticava o novo em nome do conservadorismo religioso e moral, e hoje isso se faz em nome da cultura, do marxismo ou mesmo da escola de Frankfurt. A diferença não é desprezível, mas a semelhança tampouco deve ser ignorada. E com isso, segundo ponto, se desconhece o que realmente está acontecendo, aqui e agora. Podemos ser severos com os tempos presentes, ou com quaisquer outros, mas devemos pelo menos entendê-los. E é esse, para terminar, o mérito deste livro. Tratando de fenômenos cuja compreensão não é fácil – e que é dificultada, ao invés de ser facilitada, por sua extrema visibilidade, por sua ressonância quase on line na mídia -, as autoras em nenhum momento vestem a capa moralista. Seria muito fácil descrever tudo o que mostram, do ficar a uma nova versão da língua portuguesa, mediante os dispositivos da carência: os jovens não amam, não conferem duração a seus namoros, não constroem frases com sujeito e predicado; seria fácil, mas não permitiria entender este mundo que elas apresentam e analisam”. (p. 14)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

"HÁ JUÍZES EM PORTO ALEGRE" - HOMENAGEM À AMILTON BUENO DE CARVALHO

Há algum tempo atrás, escrevi o parágrafo abaixo colacionado, em artigo escrito para avaliação da disciplina lecionada pelo Luciano Feldens, Direito Penal e Constituição. O artigo ainda não foi publicado. Recebo agora, o precedente da 5º Câmara Criminal, recém saído do forno. O Salo postou lá no blog, http://anticarcere.zip.net/. Quem quiser a decisão na íntegra, me manda um email, marcelomayora@terra.com.br. Creio que esse é o precedente mais importante da história do judiciário brasileiro. No mínimo, da história pós-constituição de 1988.

"Além disso, ainda que o juízo de proporcionalidade seja eminentemente abstrato, acreditamos ser vedado tomar postura autista em relação à realidade do sistema penal. Por isso, quando o legislador reflete sobre o mínimo e o máximo de tempo para a cominação de uma pena, deve levar em conta as concretas condições dos cárceres brasileiros. Quando realiza uma ponderação entre o direito à segurança supostamente garantido pela criminalização de condutas, e o direito à liberdade daquele que comete um crime, de modo a inferir a legitimidade da privação de liberdade, deve considerar que o termo “pena privativa de liberdade” é um mero eufemismo, pois, em nossos cárceres, a restrição aos direitos vai muito além da privação de liberdade. A ponderação se dá, em realidade, entre um abstrato direito à segurança em tese proveniente da tutela penal e um concreto e mínimo reconhecimento da dignidade da pessoa humana, consubstanciado no direito da pessoa em “não morar durante anos em uma cela com espaço para cinco pessoas, junto com outras trinta”, bem como no direito da pessoa a “não conviver com ratos.” Todos os dias, a cada segundo que passa, os mais básicos direitos previstos na Constituição Federal são reiteradamente violados pelo próprio Estado, o mesmo que cumpre com louvor o imperativo (normativo) de tutela constante na mesma Constituição Federal."

terça-feira, 14 de abril de 2009

CAFÉ INDISCIPLINAR


sexta-feira, 10 de abril de 2009

PENSANDO: ENTRE O GLOBO ESPORTE E A SÉSTIA

O "caso Adriano" suscita algumas reflexões.
A primeira, diz respeito à identificação entre desvio, loucura e tratamento. Ao tomar uma atitude inesperada, estranha, não-convencional, ou seja, desviante, Adriano é imediatamente etiquetado como louco, álcoolatra, toxicômano. Adriano precisa de tratamento, dizem Parreira e Zagalo. O primeiro, diz que ao sentir-se triste, o jogador busca refúgio em "coisas ruins" e em "más companhias." Zagalo, diz que se Adriano fosse casado e tivesse filhos, isso não estaria acontecendo. Ninguém entende como alguém pode se sentir melhor na simplicidade da favela, do que no glamour de Milão. Na sociedade da performance, descansar é proibido. Trata-se, simplesmente, de mais um caso de intolerância com o desvio.
A segunda, diz respeito a incapacidade de escutar. Apesar de Adriano ter dado entrevista absolutamente coerente, demonstrando tranquilidade e auto-conhecimento a respeito do momento que está vivendo, dizendo que saiu muito novo do Brasil, que teve transformações radicais e rapidas em sua vida e que, enfim, está cansado, ninguém o escuta. O Globo Esporte ouve diversas pessoas: todas dão uma explicação sobre a vida do jogador; todas desconsideram completamente a palavra do "objeto Adriano".
A terceira eu esqueci qual era.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

UM FININHO...

PORTE DE ENTORPECENTE. QUANTIDADE DE MACONHA ÍNFIMA (0,1g). INCAPACIDADE DE PROVOCAR DEPENDÊNCIA OU QUALQUER RISCO À SAÚDE PÚBLICA. PRINCÍPIO DA LESIVIDADE. ATIPICIDADE RECONHECIDA.
(...) quantidade ínfima de entorpecente - cerca de 1 decigrama - não serve a colocar em perigo o valor tutelado, pois incapaz de provocar dependência e insuficiente, até mesmo, para a confecção de um "fininho", sofrendo a conduta, portanto, de atipia material.
(Colégio Recursal/SP, Ac. n.º 205/04, 2º Turma, rel. Santoro Filho, j. 27/09/04.)

SEGUNDA-FEIRA

"VAI BIXO, DESAFINAR O CORO DOS CONTENTES" (Jards Macalé/Torquato Neto)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

SAI CAPETA

O Divan andou escrevendo dia desses sobre o fim do resto de catolicismo que ainda pairava sobre sua vida, e eu andei me metendo a discutir religião num churrasco, numa casa na beira da praia, do que me arrependi profundamente. É que, em certos tipos de debates, justamente pelo meu cada vez maior niilismo, adoto uma postura de terrorismo retórico, relativizando qualquer frase que me é dita, com o objetivo principal de questionar as certezas de meus amigos e amigas. Aí disse que deveriamos derrubar as igrejas e construir quadras de futebol no lugar delas, pichá-las, quebrá-las, fazer vandalismo, etc. As vezes, sequer eu concordo com o que estou dizendo, mas tento apenas relativizar. Só que assim, me torno o chato da história.
Mas, repensendo o que disse lá, acho que disse o que realmente penso em relação à religião. É que, fora a tradição que decorre da história de dada religião, não há nenhuma diferença em adorar o deus católico, de barba branca, o JC católico, cabeludo de olhos claros, a virgem nossa senhora, o sapinho da sorte, o beuzebu, fazer mandinga, macumba, andar por aí de camisa de manga-curta e gravata, ficar doidão naquelas missas evangélicas, ter o Grêmio como religião, adorar o deus sol, a deusa lua, tomar ayuasca em um ritual chamanico, celebrar o solstício ou ou equinócio numa rave...
O fato de acharmos, por exemplo, tão ridícula, e estranha, a crença e a forma com a qual os evangélicos celebram sua fé, decorre tão somente do preconceito das cabecinhas formadas em colégios católicos. O próprio cinema nacional tem vasta produção na qual aborda a questão dos evangélicos, sempre os considerando exóticos. Do ponto de vista antropológico, tão estranha quanto uma missa evangélica, é uma missa católica. Não há nada que diferencie a religião católica das outras religiões, senão o "respeito conquistado pela idade" da primeira.
Isso leva a outra questão, que apenas levanto: se a Ayuasca é liberada, desde que consumida em rituais chamanicos, não poderiamos liberar outras drogas, desde que consumidas em outros tipos de rituais?

segunda-feira, 30 de março de 2009

ESSA NOITE VAI TER SOL

Após muito esforço e de maneira quase heróica, obtive ingresso para o show do Arnaldo Antunes, que ocorrerá nesta quinta, às 19h, no Salão de Atos da UFRGS (dentro de um projeto que se chama Unimúsica, e que trará à Porto Alegre diversos artistas da "mpb contemporânea" - não que essa classificação seja válida...) Enquanto eu aguardava no carro, de terno e gravata, segunda-feira às 9h da manhã, já passando calor, a bela Mariana Garcia corria à bilheteria do Salão de Atos, portando um kilo de alimento não-perecível. Conseguiu dois ingressos. Os ingressos já estão esgotados.

Não que se esteja produzindo grandes obras em termos musicais atualmente no Brasil, mas considero Arnaldo Antunes melhor que tudo. No último cd e dvd, gravado ao vivo no estúdio, Arnaldo consegue unir música e poesia melancólica numa atmosfera cinza e angustiante.



Para Lá

Se toda escada esconde
Uma rampa
Ampara o horizonte
Uma ponte
Para o oriente
Um olhar
Distante
Em volta de um assunto
Uma lente
Depois de cada luz
Um poente
Para cada ponto
Um olhar
Rente
E a montanha insiste em ficar lá
Parada
A montanha insiste em ficar lá
Para lá

Parada
Parada
Diante do infinito
Um mosquito
Em torno de um contorno
Gigante
Cada eco leva
Uma voz
Adiante
Decanta em cada canto
Um instante
De dentro do segundo
Seguinte
Que só por um momento
Será
Antes
E a montanha insiste em ficar lá
Parada
A montanha insiste em ficar lá
Para lá
Parada
Parada
(Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhoto)

sexta-feira, 27 de março de 2009

DIÁRIO DE CAMPO


A maior dificuldade do trabalho de campo não está em nenhum livro sobre método, anti-método ou poli-método. A maior dificuldade do trabalho de campo é passar a tarde inteira em um cartório judicial aguentando 2 velhas senhoras mal-humoradas e fofoqueiras.

quinta-feira, 26 de março de 2009

MOVIMENTO ANTI-CARCERÁRIO - CHOVENDO NO MOLHADO

Eduardo Galeano disse algo assim, "aqueles que mais ferozmente violam os direitos humanos jamais serão presos. Eles têm as chaves das prisões." Não por outro motivo, o estado punitivo segue empilhando pessoas em jaulas superlotadas, e em jaulas interditadas. Aliás, de que serve essa interdição? Repito: a solução jurídica (veja-se bem: jurídica!!!) adequada para o propalado "caos carcerário" (os incautos estão descobrindo agora o que já se sabe desde o surgimento do cárcere) é a imediata libertação de todos os presos para os quais não há vagas. Bastaria formular critérios descarcerizadores, e isso poderia ser feito pela própria atuação de juízes críticos. Minha sugestão político-criminal é a vedação da hipótese de prisão nos casos de tráfico de drogas, considerando que, da população carcerária total, 20% dos homens e 60% das mulheres estão presos por esse delito, bem como diante da completa ineficácia preventiva da pena nesse tipo de crime.
PRESÍDIOS
Um terço das vagas está em cadeias interditadas
RS tem 17 prisões com algum tipo de restrição para a entrada de presos

Um em cada três presos gaúchos vive em cadeias que os juízes consideram insalubres ou inseguras. São presídios que estão sob interdição judicial, proibidos de aceitar detentos ou com veto parcial – só podem receber criminosos em algumas condições.É o que revelam números da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), cedidos à Zero Hora. A última interdição judicial aconteceu ontem no Presídio de Passo Fundo. Nada menos do que 17 estabelecimentos penais gaúchos estão interditados de forma parcial ou total. Juntas, essas unidades abrigam 9.608 dos 28,1 mil detentos existentes no Estado.A superlotação é o principal motivo justificado pelos juízes para impedir o ingresso de novos presos. Esses 17 estabelecimentos foram feitos para abrigar 5.699 presos, mas têm quase o dobro da capacidade. Assim é em todo o sistema penitenciário gaúcho, que tem 18 mil vagas, partilhadas por 28 mil presos.Um caso exemplar é o Presídio Central de Porto Alegre, que está interditado para presos que venham de fora da Região Metropolitana. Ele está com 4.728 detentos, mas tem apenas lugar para 2.086.– Como a Lei de Execução Penal (LEP) manda reeducar o criminoso, muitos juízes optam por não jogar o condenado nesses depósitos humanos. São situações insustentáveis, subhumanas – define o juiz-corregedor Marcelo Mairon Rodrigues.Alguns juízes têm tomado atitudes extremas e libertado presos, sob justificativa de que os presídios estão sem condições de recebê-los.– O que temos recomendado é que os juízes tentem vagas em outros municípios ou adotem restrições parciais. Uma delas é aceitar apenas detentos oriundos daquela comarca, outra é aceitar prisões em flagrante, outra ainda é priorizar prisão para crimes graves – pondera o corregedor da Justiça.Em Taquara, por exemplo, o motivo para interdição foi a falta de segurança da unidade. O mesmo aconteceu em Caxias do Sul, onde a Justiça exigiu reformas físicas numa penitenciária recém-inaugurada, por considerá-la insegura. Em outros locais o motivo é insalubridade. Em Montenegro, a falta de esgoto motivou interdição parcial, explica o corregedor Rodrigues.
Fonte: clicrbs

sexta-feira, 20 de março de 2009

DENÚNCIA: COLÉGIO ANCHIETA NÃO ACEITA ALUNOS EXCEPCIONAIS

Um Rosariense não podia deixar passar essa. Para não ter que aguentar o Jornal do Almoço e suas insuportáveis apresentadoras por mais tempo que o necessário, vejam o vídeo a partir do 5º minuto e 50º segundo.

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=56016&channel=45

quinta-feira, 19 de março de 2009

VIDEOZINHO TRI

http://www.youtube.com/user/opensocietyinstitute

quarta-feira, 11 de março de 2009

FODA-SE

Liguei a TV no Jornal Nacional, e William Boner tagarelava sobre a queda do produto interno bruto, a cotação da bolsa, a inflação... Mostrava gráficos e mais gráficos, e Fátima Bernardes sorria falsamente ao seu lado. Ao zapear, caí direto na MTV, onde David Bowie cantava, despreocupadamente, "Heroes". Então pensei: foda-se.
Li nessas férias o livro do Zuenir Ventura, "1968 - o ano que não acabou". Baita livro. Ele tira uma onda com a esquerda da época, que se imaginava vanguardista e desprezava o capital subversivo do Tropicalismo, por exemplo. Na época, opunham-se a "esquerda conservadora" e a "esquerda festiva", esta última formada pelos Tropicalistas, pelo pessoal do Cinema Novo, do Teatro (Zé Celso Martinez) e maconheiros em geral. A "esquerda conservadora" achava que a "esquerda festiva", ao fazer o que faziam, estava interrompendo o "papo sério", que era a Revolução, é claro, e o paraíso terreno. Zuenir, com a ironia que lhe é peculiar, diz que a "direita" - ou seja, a ditadura e os políticos civis que a sustentavam o regime de exceção - captou com maior precisão "o perigo" que a "esquerda festiva" representava ao establishment, perigo esse muito maior que o representado por alguns guerrilheiros alucinados escondidos na floresta. Não por outro motivo, prendeu, censurou e exilou Caetano, Gil, Glauber Rocha e outros. Da mesma forma, "a esquerda conservadora" desprezava as transformações que estavam acontecendo no nível do comportamento, de questões como o sexo, as drogas e o rock and roll. Isso era asssunto menor.
Me parece que a "esquerda" atual anda meio parecida com essa "conservadora" do passado, e é isso que anda me afastando dela. Creio que a "esquerda" deve ser, necessariamente, contracultural. Creio que uma roda punk é muito mais subversiva que um discurso xiita mofado. Creio que uma rave é muito mais subversiva do que alguns berros na frente do Palácio Piratini. Creio que um moleque pichador e skatista nos diz muito mais do que uma cara pintada anacrônica. Claro que todos esses fenômenos são capturados pela maligna indústria cultural, mas sempre sobra um resto, e esse resto é que interessa.
Creio que a dissertação do Zé Linck nos diz muito mais, hoje, do que "O cárcere e a fábrica". Por este motivo, considerando que os "conservadores" estão conseguindo proibir - em realidade apenas dificultam e transformam - diversos tipos de festividades contemporâneas, creio que uma trincheira importante da criminologia é a seguinte: garantir a diversão da galera. Poderíamos muito bem chamá-la de Criminologia da Diversão.

quinta-feira, 5 de março de 2009

COMÉÉÉÉÇAA O ANO....




1. Fui para Punta del Diablo no carnaval, e blá blá blá... Num dos dias, fomos ao CABO POLÔNIO, um dos lugares mais bonitos e agradáveis que conheço. O Jorge Drexler tem casa lá, e foi lá, em uma caminhada psicodélica, observando o farol do Cabo, que ele compôs a música "los 12 segundos de oscuridad". Fica a mais ou menos 1h do Chuí. É muito legal, quem não conhece, trata de conhecer. É uma aldeia hippie, onde ainda existem hippies de verdade. Não tem água encanada, nem luz. A luz vem do sol, a água do caminhão pipa. Não dá para chegar em carros normais, pois é necessário atravessar dunas. Então, deixa-se o carro num estacionamento na beira da estrada, e pega-se carona num jipe ou num caminhão do tipo pau-de-arara. No retorno, ao pôr-do-sol, algo interessante aconteceu. Além de uma família grande de castelhanos, estávamos eu, Nereu e as respectivas, além de dois casais castelhanos, cada um com dois filhos. As mulheres dos castelhanos foram na cabine, junto com o motorista, já que ventava e elas carregavam bebês, e os papais foram ali no pau-de-arara conosco. Não vi de onde surgiu o assunto, só ouvi a palavra "Zaffaroni" e aí passei a prestar atenção na conversa. Pois não é que - e peço escusas por me auto-intitular e por intitular Nereuzinho de "penalista" - das 12 pessoas, mais ou menos, que estavam no caminhão, 4 eram penalistas. O fato é que o cara deu uma bela explicação sobre a "tipicidade conglobante", ali mesmo, balançando no caminhão. Não me intrometi na conversa, estava um pouco longe, teria que gritar e, além disso, queria ouvir, não falar. Mas a vontade que deu foi de gritar: Viva Zaffaroni, o maior penalista de todos os tempos!

2. Voltei domingo e ouvi o Grenal no rádio. Não vou dizer nada sobre o Roth, não vou chutar cachorro morto. Roth tem medo de ser feliz, disse o David Coimbra, no que concordo plenamente. O Grêmio tá séculos atrás do Inter, pois ainda não fez a Revolução Francesa. Proponho guilhotinar a aristocracia que manda no tricolor, começando pelo presidente herdeiro-fashion-que-nunca-fez-porra-nenhuma-na-vida-senão-gastar-a-fortuna-de-papai.

3. Na primeira noite em que durmo no lar, um maldito morcego invade meu apartamento. Foi rapidamente caçado e assassinado pela selvagem que vive comigo: a gata Anita. Fiquei orgulhoso.
4. Ontem, os porcos fardados conseguiram parar o trânsito de toda a região Praia de Belas - Fórum - Av. Beira Rio, apenas para mostrar os brinquedinhos novos que ganharam da vovó Yeda. Engarrafado no trânsito por culpa dos porcos, que, como sói, criavam problemas, senti uma raiva profunda dos soldados armados fardados ou não... Nunca buzino no trânsito, sou do "movimento diga não à buzina". Ontem buzinei, tentando incitar uma rebelião popular. Não obtive êxito.

5. É isso aí.




terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

SOB ENCOMENDA

Escrevi esse texto sob encomenda do Achutti, que ficou puto com a análise publicada na ZH de hoje sobre a questão das drogas, feita por um respeitável senhor, tendo como pano de fundo o "caso Phelps" e o ocorrido no Poxxxto 9, no Riiiiiio. Mandei pra ZH (a culpa é do Achutti) daí porque o post tá "meio gay". Duvido que seja publicado. Então, publico aqui:
Em artigo publicado no dia 10 de fevereiro de 2007, Eduardo Lima Silva, jornalista e perito criminalistico, aborda temática relativa às drogas, salientando a diferença nas conseqüências e na repercussão pública do ocorrido com Michael Phelps - flagrado fumando maconha em festa universitária nos Estados Unidos - com o acontecimento do Rio de Janeiro - onde policiais foram hostilizados após tentarem efetuar flagrante por posse de drogas no famoso Posto 9. Considerando que a abordagem do respeitável autor é insuficiente para abarcar a complexidade que envolve o tema, creio necessário tecer alguns comentários.
É que ambos os acontecimentos, se analisados desde uma perspectiva que supere a estreita visão demonizadora das drogas, apontam, em realidade, para uma necessária e urgente revisão a respeito da política criminal proibicionista, que se apresenta inegavelmente falida. Falida porque, por um lado obtém escassos resultados em termos de redução do consumo e, por outro, acarreta diversos danos colaterais aos consumidores, tais como as dificuldades ao tratamento voluntário em razão da estigmatização do usuário, a difusão de doenças infecto-contagiosas decorrentes do compartilhamento de seringas ou de latas para consumo de crack, bem como a ausência de controle de qualidade das substâncias consumidas. Além disso, a afirmação do autor de que “os tóxicos são os maiores propulsores da criminalidade”, é correta, porém incompleta. Faltou dizer que o contexto de violência urbana, no qual estamos todos inseridos, é conseqüência da proibição de algumas das substâncias entorpecentes, da qual decorre o tráfico. Mormente os expressivos índices de homicídio, que vêm sendo divulgados cotidianamente por Zero Hora, têm relação direta com a economia clandestina das drogas, seja em razão de conflitos entre grupos rivais, seja em razão de assassinatos praticados por policiais na chamada “guerra às drogas”
Michael Phelps pediu desculpas, pois teve de submeter-se à hipocrisia de uma sociedade que trata o tema de forma hipócrita. Os “empresários morais” não poderiam conviver com o fato de que o maior medalhista da história das Olimpíadas, eventualmente, fuma maconha. O pânico moral, mola propulsora que legítima o controle penal das drogas, foi reconstruído a partir do pedido de desculpas de Phelps. O fenômeno ocorrido no Posto 9, por sua vez, demonstra que o uso de drogas está inserido em contextos simbólicos, em rituais, que, de alguma forma, significam e re-significam o ato. A atitude dos freqüentadores da praia demonstra que, ao menos aquele micro-grupo social, não concorda com a restrição à sua liberdade de consumir a substância que lhe aprouver. Aliás, não são frequentes incidentes no local – a menos que aplaudir o pôr-do-sol possa ser considerado um incidente – senão quando a polícia resolve intervir.
Desta forma, creio que a temática das drogas deve ser objeto de uma “revolução cultural”, de maneira que superemos as visões maniqueístas, em direção a uma política realista, libertária e acolhedora.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

MAIS UMA DO STF

Discutimos há algum tempo atrás o significado das recentes decisões do STF, que, numa primeira análise, pareciam estar apontado para a consolidação de um legítimo tribunal constitucional, garantidor dos direitos fundamentais. Alguns amigos levantaram críticas às decisões, sobretudo porque o julgado mais comentado surgiu a partir de um Habeas Corpus impetrado por Daniel Dantas, a pessoa mais maligna que já existiu no Brasil, segundo a Carta Capital. Foram levantadas, inclusive, dúvidas sobre eventuais interesses envolvidos na decisão. Também foi dito, resumidamente, que o "garantismo do STF" só serviria aos ricos, com recursos para pagar os advogados. O PSOL, por exemplo, afirma que o Ministro Gilmar Mendes foi corrompido por Daniel Dantas. De minha parte, sobretudo diante de "reportagens investigativas", levadas a cabo por jornalistas altamente interessados, prefiro ser a velhinha de Taubaté, e não acredito que o presidente do STF tenha se corrompido. Se eu for acreditar nas "reportagens investigativas" da Carta Capital, terei que acreditar nas da Veja. Então, tenho como premissa não acreditar em nenhuma das duas. É que "não tem mais bobo no futebol".
Não sei por que saiu hoje na capa de ZH reportagem sobre decisão do STF que veda a execução provisória da pena, já que esse é um entendimento há algum tempo consolidado. Contudo, já que saiu, aproveito o gancho para salientar que a decisão não tem nada de "classista" e que alcança a grande maioria da população carcerária. Sei o quão pouco significa o momento judicial em termos de sistema penal. Contudo, reafirmo o que afirmei outrora: temos uma Corte Suprema garantidora dos direitos fundamentais. E garantidora no sentido exato do termo, pois a decisão vai de encontro à vontade da maioria, como bem afirma na reportagem o péssimo Humberto Trezzi.
Por último, vai uma dica para o jornalista que elaborou a "explicaçãozinha" sobre os recursos julgados pelo STF: dê uma lida na Ada, ao menos, porque tá sofrível o esquema, dessa forma rodarias em processo penal II.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ANTIPROIBICIONISMO



Michael Phelps, o maior medalhista da história das Olimpíadas, em momento relax.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

NÃO DÁ, NÃO DÁ... SIMPLESMENTE NÃO DÁ.

Estava assistindo o Conversas Furadas enquanto jantava, ouvindo o digníssimo juiz não vou citar o nome, mas é aquele lá, vocês sabem quem é, e toda a sua sabedoria. Não aguentei dois minutos em frente à televisão. É que não dá. Não dá. Simplesmente, não dá. É como discutir com um padre.
Ao analisar a questão das prisões preventivas, diz ele que sempre que "for o caso", é obrigado a decretar a prisão preventiva, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal. E que um juiz não pode descumprir a lei - o art. 312 do Código de Processo Penal - simplesmente porque não há mais vagas nos presídios. "Eu não posso deixar uma pessoa perigosa na rua simplesmente porque o presídio central está superlotado", diz o cara. Certa vez, quando estagiava, ouvi de um mestre, que, ao elaborar as peças processuais, eu deveria pensar que estava escrevendo para um débil mental ler. Então é assim. Olha só: se a lei maior, a Carta Magna, a CF, a Constituição Federal, diz que as penas não podem ser cruéis, por que diabos vocês a descumprem todos os dias, todas as vezes que mandam alguém para o cárcere - o cárcere no Brasil, no RS, o presídio central - e não podem "descumprir" o art. 312 do CPP? É foda. Eu estou desconsiderando aqui toda a discussão que anda sendo travada com os "manos" sobre o estado de exceção, porque o discurso desses padrecos não se sustenta nem internamente.
E outra coisa: o cara, na mesma intervenção do Conversas Furadas, reconhece o efeito criminógeno do cárcere e sustenta a solução carcerária como medida eficiente de segurança pública. Como assim?
Não dá.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA

Aguardando audiência, corre-corre no corredor de São Leo, presos sendo "conduzidos" algemados pelos funcionários da Susepe para conversar com o homem da capa preta. Eu ali, lendo a denúncia, o relatório de preparação de audiência, "pensando o caso", e ouvindo as conversas alheias. Um carcereiro da Susepe conversa com seu comparsa: "se eu estou com a carteira de cigarro no bolso, posso ficar o dia inteiro sem fumar. O importante é ter a carteira perto de mim".
É que o ritual para conseguir a droga faz parte da dependência. No livro de Burroughs, Junkie, notamos que a viagem principal dos viciados não era propriamente a viagem química proporcionada pela droga. A dependência é dependência de um estilo de vida, de uma rotina. Burroughs narra o cotidiano de um grupo de viciados, cuja existência se constituia ao redor da droga, mas estava para além dela. Obter dinheiro para comprar a droga, sair pelo metrô atrás da carteira de bêbados dormindo nocauteados pela rua, procurar o "dealer", subornar médicos para conseguir receitas para comprar as substâncias (que naquela época eram vendidas em farmácia) os paliativos utilizados para "dar um tempo", tudo isso fazia parte da rotina de Burroughs e seus amigos, e é de tal rotina que dependiam os dependentes.´
É na rotina do crack que se viciam os viciados em crack, e é por aí que devem ser pensados os programas de reabilitação. O contexto importa muito mais que a droga.
Nei Lisboa, nos brinda com um clássico sobre o assunto:
Síndrome de Abstinência
Se essa seca durar mais um mês
Vou-me embora para o Paraguai
Vou de muda para o Maranhão
Que aqui não tem vez
Que aqui não dá mais
A cabeça não 'güenta não
Dias de outono, de amargura
Lembro dos tempos de fartura
Maria, Joana, todo mundo tinha
Um quarto só pra nós
Um quarto pros convivas
Cabeças tão ativas
Todo mundo dando vivas

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CRÉU

Algumas pessoas queridas e amadas estão envolvidas no "temível" concurso para a magistratura estadual gaúcha, então tenho acompanhado de perto a realização do certame.
Uma das questões importantes para a superação da cultura punitivista, em direção a um judiciário mais democrático, é a forma com que são recrutados os nossos juízes, ou seja, o que se exige de um candidato à juiz. Não tecerei maiores comentários sobre o método "decoreba" a que são impelidos os pretendentes à vaga. O fato é que quem quer passar em tal concurso deve submeter-se ao estudo acrítico do direito, pois o questionamento não é visto com bons olhos pela banca de seleção. Não por outro motivo, o quadro de juízes estaduais - falo aqui em matéria penal - é lamentável. E falo isso não por que "eles pensam diferente de mim", mas porque eles não pensam. Se pensam, não colocam o que pensaram na fundamentação. Não há mínima fundamentação nas decisões dos juízes estaduais. Além disso, não podemos esquecer que há forte nepotismo em tais concursos. Sabe como é, desde pequeno o guri correndo lá pela Ajuris, o guri é bom, de boa família.... E a situação está piorando. No último concurso, a maioria dos magistrados que ingressaram na carreira tem perfil fortemente conservador.
Bom. Ao menos, não estamos mais na época em que mulheres não se candidatavam, nem na época em que a banca de seleção exigia virgindade das mulheres que queriam ser juízas. Hoje em dia, as juízas podem até dançar o "créu". Mas, ao ler o edital, notei que ainda existem resquícios de tal moralismo, tal como a "sindicância da vida pregressa" a que são submetidos os candidatos:
7. DA SINDICÂNCIA

7.1. A Sindicância, ou investigação social, consiste na coleta de informações sobre a vida pregressa e atual e sobre a conduta individual e social do candidato.

7.2. A Sindicância será realizada pela Comissão de Concurso e iniciada após conhecidos os candidatos habilitados à Fase Intermediária.
Estou preocupado, pois esse é "o calcanhar de aquiles" de meus amigos candidatos. Talvez teremos que pensar em "apagar" algumas fontes de informação. Caso me perguntem algo, podem ficar tranquilos, ficarei em silêncio.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

GUERRA?

Não direi nada sobre o massacre de Gaza. Ou melhor, apenas um comentário sobre a cobertura da imprensa hegemônica: Globo e RBS. As notícias que tentam encarar o genocídio como guerra são sofríveis: "Israel atacou por aqui, por ali, errou uns misseizinhos, matou 'inocentes', criancinhas e velhinhos...; O Hamas lançou 12 mísseis, todos cairam no mato." Os números falam por si só:
Número de mortos
Palestinos: 1024
Israelenses: 13
Feridos: 4580
Fonte: Agências internacionais

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

VOLTEI...

(...) mas ainda estou me adaptando à altitude. Enquanto isso, uma tira, sobre a criminalização do cotidiano.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

SE ALGUÉM PERGUNTAR POR MIM, DIZ QUE FUI POR AÍ...

Estarei numa casa no campo, com meus discos e livros. Qualquer contato, favor acionar pombo-correio.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

RÉPLICA

Diante dos inúmeros comentários, me senti compelido à réplica. Morei durante um ano perto do Shopping Iguatemi. Moro há 6 meses na Duque de Caxias. O texto surgiu de uma análise comparativa entre duas regiões da cidade, tendo como referencial a questão estética. O objetivo foi relativizar a visão que a maioria das pessoas, inclusive amigos, que não conhecem o Centro, tem do Centro.

Juriká, a Nilo Peçanha é a Nilo Peçanha. Ela existe. O concreto e o sol que o esquenta existem. As representações da Nilo Peçanha são as representações da Nilo Peçanha. A minha representação da dita rua é a exposta no texto. Ela deve derivar de um sem número de motivos. E dela resulta meu prazer em estar em um certo ponto da cidade, e a minha náusea em estar em outro. Isso, na maioria dos dias: no tempo.

Divan, acho que o programa pode ser bacana sim. Apenas expressei preferências minhas: mulheres escabeladas e correr na beira do lago.

Galochas, concordo contigo, inclusive um amigo meu de 15 anos, companheiro de jogo do Grêmio, conta que as menininhas andam fazendo boquete no banheiro das festas de 15 dos salões nobres da capital. Bacana. Claro que tem vida em toda a parte, nos shoppings, na África, na guerra... Eu estava expressando o que me encanta e o que me desencanta, nas vidas que acontecem.
MOX: Concordo contigo, o laço social se fortalece numa região com esquinas.
ACHUTTI: É isso aí, fizestes a mesma leitura que eu fiz de meu próprio texto. Não sem motivo.
Mas a questão central é que o texto tratava de castelos e de princesas...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A VIDA É DOCE, OU, PAZ E AMOR


É fato que Porto Alegre vai se tornando mais feia no sentido centro-bairro. Começamos pelo Centro e toda a sua elegância - o Centro é o centro cultural da capital - continuamos pela tradicional Independência, do velho colégio Rosário, e que hoje abriga a balada da "juventude transviada", o Bonfim do Nei Lisboa, do Ocidente, da etnografia da dissertação de mestrado do Juremir Machado, as ruas pulsantes da Cidade Baixa, o porteño Moinhos de Vento, o Menino Deus da minha adolescência - em uma fase da vida, assistia o pôr-do-sol ali do Marinha todos os dias - e o bairro Petrópolis, com suas casas e ruas arborizadas. E deu.

Quando chegamos na Nilo Peçanha, tudo se torna feio. Tudo é novo e sem história. Tudo está no lugar, inclusive o cabelo das moças. Tudo é artificial. Não há um defeito, uma sujeira, um fedor, que é o que torna o ambiente vivo, e bonito. Na sequência, encontramos o maior monumento ao mau gosto, que é o shopping Iguatemi. Um bunker de concreto, cinza, de aspecto violento. E as pessoas caminham em volta do Shopping, correm em volta do shopping, atrás do próprio rabo, misturando-se aos carros, ao barulho dos carros, dos carrões de vidro preto.

Ontem saí de meu castelo, junto com a Princesa. Na praça da Matriz, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre apresentava o espetáculo "Uma noite em Viena". Eram dez da noite, a rua estava cheia, as pessoas apreciavam a noite estrelada da cidade ao som de Strauss, as crianças corriam pela praça, o pipoqueiro e o vendedor de algodão doce faturavam. Bonito, muito bonito. Seguimos caminhando pela Duque de Caxias, descemos o viaduto da Borges, iluminado e limpo - a Princesa teve que segurar o vestido por causa da brisa - até chegarmos à Lima e Silva, onde os seres humanos que moram na mesma cidade que eu confraternizavam em mesas, ingerindo bebidas com potencial alterador da consciência. O clima era de alegria e de prazer.

Lembrei dos defensores das "instituições". A maior instituição que temos atualmente é, sem dúvida, o buteco. Espaço democrático de convivência, onde os assuntos mais sérios tornam-se leves, e os leves tornam-se sérios. O Caetano disse, certa vez, tirando onda, que só seria possível filosofar em alemão. Digo eu, só é possível filosofar no buteco.

Qualquer possibilidade de reestabelecimento dos laços sociais que estariam frágeis - estão mesmo???? - passa pelo incentivo, por "ações afirmativas", em direção à convivência no buteco e na rua, ou no "espaço urbano", para usar um termo mais acadêmico. A rua tem que ser ocupada, temos que caminhar pela noite, deixar o carro em casa. Às meninas: saiam sem salto, salto é coisa de carioca, vocês são gaúchas, praticamente castelhanas. Usem "rasteirinhas", usem "all star", usem havaianas.

Voltei ao castelo apé, bêbado e inspirado. A Princesa estava de pés descalços.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

OrDeM

Diz-se que olhar e pensar os problemas a partir do código-pena obscurece a possibilidade de pensar a questão em toda sua complexidade, ou seja, desde os diversos elementos de um fenômeno que devem ser analisados conjuntamente. Dizer isso, é o mesmo que dizer que não podemos pensar um fenômeno social a partir da idéia de ordem.
A questão do MST, por exemplo. Todo o debate que está sendo travado na atualidade refere-se "a criminalização dos movimentos sociais", a atuação (violenta) da Polícia Militar nas desocupações de fazendas e de órgãos públicos, nas manifestações urbanas, o controle permanente dos camponeses acampados, a segurança privada dos fazendeiros: "na necessária manutenção da ordem fundiária."
Ou seja, não se discute se a "ordem fundiária" que se mantém no Brasil desde... (desde quando mesmo?) é um valor a ser defendido com rigor pelas nossas valiosas instituições. Se, ao contrário, não é o próprio Estado quem deve alterar radicamente essa "ordem", mediante uma reforma agrária power. Não que o debate já esteja decidido em prol da resposta "da esquerda", pois existem argumentos, principalmente de ordem econômica, que justificam, para alguns, para o governo LULA, por exemplo, tal tipo de política agrária. E eu não me sinto apto a rebatê-los.
Mas é só para notar como a questão de fundo, a provocação que o MST quer trazer a partir de seus atos, sequer é ouvida pela população em geral, que está ensurdecida pelo debate a respeito da manutenção da ordem, sobre a polícia, os mocinhos e os bandidos. Talvez porque filme policial seja bem mais divertido que filme "feito para pensar". Talvez porque esteja se fazendo de surda.
Além disso, talvez também seja possível concluir que o método adotado pelo MST está sendo contraproducente, deslegitimando popularmente até mesmo eventuais medidas que o governo pretenda adotar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 73


Hoje, encaminhando-me para a labuta, o DJ Shuflle, como diz o cara lá de longedemaisdascapitais, me brindou com um clássico absoluto da MPB. Compartilho com os leitores:

À Palo Seco

Se você vier me perguntar por onde andei

No tempo em que você sonhava

De olhos abertos lhe direi

Amigo, eu me desesperava

Sei que assim falando pensas

Que esse desespero é moda em 73

Mas ando mesmo descontente

Desesperadamente eu grito em português

Tenho 25 anos de sonho e de sangue

E de América do Sul

Por força desse destino

O tango argentino me vai bem melhor que o blues

Sei que assim falando pensas

Que esse desespero é moda em 73

Eu quero que esse canto torto

Feito faca corte a carne de vocês

(Belchior)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

ANTIPROIBICIONISMO II

Engraçado é que, ao mesmo tempo em que constatam-se os danos colaterais gerados pelo proibicionismo, todas as medidas adotadas reforçam a solução falida.

Os cartéis crescem, e a violência dobra no México
Mortes relacionadas ao narcotráfico aumentaram 117% em 2008


Está ficando insustentável. Os assassinatos no México vinculados ao narcotráfico aumentaram 117% em 2008 (até o início do mês de dezembro) em relação aos registrados no ano de 2007. As informações são do procurador-geral de Justiça do México, Medina Mora.Do dia 1º de janeiro até 2 de dezembro de 2008, os homicídios dolosos cometidos pelo crime organizado chegaram a 5.376 casos. No mesmo período de 2007, haviam chegado a 2.477, índice alto, mas módico em relação ao deste ano.Mora atribui o crescimento da violência a uma disputa entre facções internas nos cartéis do narcotráfico e entre os cartéis e o governo, que tem promovido uma repressão intensa. O aumento da violência provocou até uma queda do PIB mexicano, em razão da diminuição na atração de investimentos.O maior número de homicídios ocorreu nos Estados de Chihuahua e Baja Califórnia, regiões de fronteira nas quais traficantes tentaram eliminar seus rivais em batalhas nas ruas de Ciudad Juárez e Tijuana, e em Sinaloa, que serve de base a um dos mais poderosos cartéis do país. Combater os cartéis que fornecem a maior parte das drogas consumidas nos Estados Unidos vem sendo um exercício de frustração para o governo mexicano. E um dos principais problemas é a corrupção.Ao assumir a presidência, em 2006, Felipe Calderón enviou às regiões convulsionadas centenas de homens, em uma ofensiva contra a violência. O governo conta com o apoio dos EUA.Cerca de 90% da cocaína que entra nos EUA passa pelo México, segundo informações do setor de controle de narcóticos do Departamento de Estado americano. O tráfico é controlado por quatro grandes cartéis (veja quadro). Apesar de maconha e heroína serem produzidas no próprio México desde o início do século 20, o problema cresceu a partir de meados dos anos 80, quando a cocaína vinda da Colômbia inundou o mercado americano, usando as rotas dos traficantes de maconha mexicanos.
Projeto aprovado na Câmara endurece a legislação penal.
Esse tráfico alimentou o crescimento das quadrilhas mexicanas, que, em meados dos anos 90, chegaram a ocupar o vazio deixado pelos cartéis colombianos. O fortalecimento dos cartéis mexicanos provocou um aumento dos efeitos colaterais do narcotráfico: a corrupção e a violência.Os atos violentos se traduziam em ajustes de contas, manutenção da disciplina dentro das organizações e assassinatos dos traficantes adversários que invadissem “áreas” alheias. Ainda são esses os principais motivos dos homicídios que têm chocado os mexicanos, em freqüentes cenas macabras de corpos calcinados.Na terça-feira, a Câmara dos Deputados mexicana aprovou, por 314 votos a favor e quatro contra, reformas em matéria de Justiça e segurança, no projeto conhecido como “miscelânea penal” (mexe em oito leis). O objetivo é dar ao governo ferramentas para terminar com essa escalada da violência local. Entre outros itens, fica prevista a atuação de agentes disfarçados. Ocultar informações vira crime.O projeto já havia passado pelo Senado. Agora, depende apenas da sanção presidencial.
(Fonte: clicrbs)

LOBBY DO MENDES, OU EU EU EU, O MENDES SE FUDEU.

Grampo da PF flagra comandante da BM pedindo ajuda a investigado
Oficial solicitou a Chico Fraga apoio para assumir comando
Ao grampear os telefones de suspeitos de desvios em verbas na Grande Porto Alegre, a Polícia Federal (PF) gravou um dos investigados, o secretário-geral de Governo de Canoas, Francisco Fraga, recebendo do coronel Paulo Roberto Mendes um pedido de apoio para assumir o comando da Brigada Militar. A ascensão de Mendes ocorreu em junho, e o diálogo vem à tona em um momento em que ele está deixando o comando.Na ligação, feita em abril, o oficial solicitava que Fraga intercedesse junto ao Piratini para garantir sua nomeação ao comando. À época, Mendes era subcomandante da corporação, e Chico Fraga, um dos 39 indiciados pela PF em outro inquérito, o da Operação Rodin.O diálogo foi documentado com autorização judicial no contexto da Operação Solidária, que apura fraude em contratos de fornecimento de merenda escolar e de obras rodoviárias. Em 27 de maio, Fraga se tornou um dos 40 réus no caso Rodin, que investigou a fraude do Detran. Enquanto isso, Mendes estava prestes a assumir o comando. Teve seu nome confirmado pela governadora Yeda Crusius em 9 de junho.Relatório em que a PF analisa os diálogos gravados reproduz o seguinte trecho: “Assim, no intuito de fortalecer seu nome, Mendes solicitou a Chico Fraga que fizesse articulações com algumas pessoas que pudessem influenciar na decisão da chefe do Executivo. Nesse sentido, solicitou o militar que Chico Fraga pleiteasse ao jornalista Políbio Braga a produção de matéria relacionada à invasão da fazenda Southall, aduzindo que o MST somente teria logrado êxito em função da ausência de Mendes, que se encontrava em viagem oficial. Chico Fraga recorreu também ao deputado Eliseu Padilha, o qual teria se comprometido a falar com a governadora”.Transcrições integram relatório de operação. Um dos diálogos interceptados é entre Fraga e uma pessoa que supostamente poderia influenciar o jornalista Políbio Braga. Fraga sugere a publicação de nota afirmando que a invasão da fazenda só ocorreu porque Mendes não estava atuando naquele dia, 14 de abril. A nota foi publicada.Transcrições e relatório da PF que expõem a relação entre Mendes e Fraga integram o inquérito da Operação Solidária que está na Justiça Federal, em Porto Alegre. Apesar de tramitar em segredo de justiça, o inquérito pode ser consultado por interessados, como advogados e investigados.ZH teve acesso ao material pormeio de pessoas que o receberam no começo da semana. Os documentos estão sendo distribuídos a autoridades, especialmente na própria Brigada. Um dos que receberam o material foi o ex-comandante-geral da BM Nilson Bueno, sucedido por Mendes. Bueno confirmou a ZH ter recebido os documentos, mas não quis se manifestar sobre o teor. Ele fez contato com a PF e aguarda audiência na superintendência para buscar esclarecimentos sobre os documentos.

sábado, 6 de dezembro de 2008

ANTIPROIBICIONISMO


"SE VITAMINA C FOSSE PROIBIDA, NÓS TOMARÍAMOS". (Mark Renton, "Junkie", personagem de Trainspotting)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

OUTSIDERS

Mambembe


No palco, na praça, no circo, num banco de jardim
Correndo no escuro, pichado no muro
Você vai saber de mim
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte
Cantando
Por baixo da terra
Cantando
Na boca do povo
Cantando

Mendigo, malandro, muleque, mulambo bem ou mal
Escravo fugido, um louco varrido
Vou fazer meu festival
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte
Cantando
Por baixo da terra
Cantando
Na boca do povo
Cantando

Poeta, palhaço, pirata, corisco, feirante judeu
Dormindo na estrada, no nada, no nada
E esse mundo é todo meu
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte
Cantando
Por baixo da terra
Cantando
Na boca do povo
Cantando

(Chico Buarque)

sábado, 29 de novembro de 2008

CHAMANDO AS COISAS PELO NOME CORRETO

O cara do filme NA NATUREZA SELVAGEM [sempre esqueço o nome dele], num certo momento entra no teto de chamar as coisas pelo seu devido nome. Chego agora, sábado, 19h32min, de uma conversa no parlatório, e resolvi brincar a brincadeira do personagem do filme NA NATUREZA SELVAGEM [sempre esqueço o nome dele]:
UMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA CHAMADA ESTADO, REPRESENTADA POR UM BANDIDO CHAMADO DELEGADO, UM BANDIDO CHAMADO PROMOTOR DE JUSTIÇA E UM BANDIDO CHAMADO JUIZ, SEQUESTRAM UMA PESSOA E A MANTÉM EM CATIVEIRO PELO TEMPO QUE BEM ENTENDEM. O CATIVEIRO SE CHAMA CÁRCERE E É SOBRE ISSO QUE TEORIZAMOS HÁ SÉCULOS.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

MAIS UM BLOG A SER LIDO

Diretamente de Curitiba, o amigo Crisantho nos brinda com reflexões libertárias.

http://oeventuario.blogspot.com

TRISTE CONSTATAÇÃO


A vitória do time ribeirinho ontem na Argentina, somada ao fracasso do Grêmio na Bahia, acabou por comprovar tese que venho sustentando há algum tempo. O fenômeno é o seguinte: a gremistização do Inter, que ocorre paralelamente à coloradização do Grêmio.

A identidade do Grêmio foi construída a partir da cultura gaúcha, da idéia de raça, de "não tá morto quem peleia", de futebol feio, violento, copeiro, do cabeludo e barbudo com sangue na testa ao levantar a taça. Trata-se de definição construída principalmente pelos empresários morais do futebol - imprensa paulista e carioca - que atribuíram ao Grêmio, a partir da era Felipão, tal status. Basta lembrar da forte campanha promovida em 1995, em favor do futebol arte do Palmeiras, em detrimento do futebol tosco gremista. Na sequência do processo de etiquetamento, o Grêmio aderiu a tal definição e a profecia se auto-cumpriu: tornou-se, de fato, o time raçudo, da alma castelhana, que joga feio mas é campeão. "Quando surge a decisão, o Grêmio cresce", dizia-se.

O Inter, nesse período, ficava à sombra do Grêmio, e a sua definição acontecia a partir da idéia de fracasso. Era o time fracassado, campeão em eras remotas, quando o futebol ainda era outra coisa, mas que na década de 80 e 90 tornou-se uma espécie de Botafogo, ou de Atlético MG, times cheios de lendas, "Mané Garrincha", "aquele time lá de 66 era uma máquina", e não sei mais o que. Os torcedores, então, firmavam sua identidade nessa idéia: somos sofredores e fracassados - um pouco como o torcedor Corinthiano que canta "sou Corinthiano favelado e sofredor". Era um time carioca que, na hora de decidir, fraquejava, e perdia os títulos. Enquanto o Grêmio tinha a imagem de "forte", o colorado assumia o estereótipo de fraco. Como não poderia deixar de ser, se ressentia e se vitimizava.

O grande mérito, portanto, da geração que levou o time da beira do rio ao título mundial, foi ter reconstruído a identidade colorada. Nesse sentido, não por outro motivo diversos elementos da forma de torcer atual dos torcedores colorados foram retirados da forma gremista, por sua vez, inspirada nos castelhanos, de onde tiramos a idéia de time copeiro e raçudo. Torcida atrás do gol, cantando o tempo todo, atrás de barras, trapos pendurados... O Inter observou o Grêmio, e aprendeu bem. Ontem foi exemplo disso: vitória na argentina, com um jogador a menos. De fato, vitória bonita. Poderíamos dizer: vitória com cara gremista. Gremistização colorada.

O Grêmio, por sua vez, ao entregar o jogo ao time do Vitória, se desesperando ao levar um gol, "abrindo as pernas" ao ter um jogador expulso, e, "morrendo na beira da praia" do Campeonato Brasileiro, parece o Inter da década de 90, dos tempos do Leandro "Garça". Tempos atrás, o Grêmio cresceria ao ter um jogador expulso, organizaria a marcação e faria um gol de chiripa no contra-ataque. Não foi o que aconteceu. Coloradização gremista.

Triste constatação.